Aglomerado Saúde: Camisinhas Antialérgicas (sem látex)

As campanhas de prevenção a DST’s (especialmente a AIDS) e também as de controle de natalidade e planejamento familiar sempre destacam como um dos métodos mais eficientes o uso da camisinha.

Sendo algo muito importante (capaz de evitar várias doenças e gravidez na hora errada), a camisinha deveria ser algo acessível a toda a população… e bem, chega perto disso. O governo brasileiro distribui gratuitamente nos postos de saúde… mas… tem uma “mas”. A esmagadora maioria dos preservativos (incluído aí o distribuído pelo governo) é feita de látex (a mesma matéria-prima usada na fabricação da borracha).

E daí?

E daí que uma parcela da população (estimada em 5% – o que, só no Brasil, representaria cerca de 10 milhões de pessoas) é alérgica a látex e tem problemas (que podem até mesmo ser sérios) em usar  camisinha. Eles não podem e não devem ficar “abandonados à própria sorte”… e de fato não estão. Apesar de não-tão-divulgadas-assim, existem camisinhas antialérgicas, que são feitas de material sintético (em geral poliisopreno ou poliuretano).

Então…

Vamos mostrar algumas delas e ver o que os fabricantes dizem.

Se você tem alergia ao látex, seguem 4 opções para você procurar na sua cidade (ou e-shop preferido):

- Preserv Extra Premium (http://www.preserv.com.br/detalhe_extraPremium.php) – A página do fabricante informa que esse é (supostamente) o preservativo mais fino do Brasil (o que, ao menos em tese, melhora a sensibilidade). A descrição oficial do produto diz que ele é “feito em poliuretano, vem com lubrificante e não causa alergia”. Numa loja virtual confiável a embalagem com quatro unidades custava alguns centavos além de R$ 20,00 (pouco mais de R$ 5,00 a unidade). Outra loja vendia uma embalagem com duas por pouco mais de R$ 10,00 (ainda assim, pouco mais de R$ 5,00 a unidade).

- Preservativo Unique (http://www.naturalsensation.com.br/) – A fabricante destaca várias características “diferentes” do preservativo, incluindo não causar alergias (ele é feito de poliuretano). Ela também é dita mais fina que as concorrentes (se as “concorrentes” forem as comuns, de látex, talvez seja…) e ela também vem com uma embalagem diferente e tem um método próprio (não igual ao das demais) para ser colocada. A embalagem dela parece um cartão de crédito (mais fácil, portanto, de se levar na carteira, para quem tem tal hábito) e vem com 03 unidades.  Há um vídeo de demonstração feito pelo fabricante aqui: http://www.naturalsensation.com.br/demonstracao-do-produto.php. A página da própria fabricante vende o produto pelo preço de R$ 9,99 (R$ 3,33 a unidade) mais frete.

- Blowtex Skyn (http://www.blowtex.com.br/prod_19.php) – Destacado no site do fabricante como “para peles sensíveis” e “não contém látex natural”, ele é feito de poliisopreno, um material sintético que carrega o curioso apelido de “borracha natural sintética”. Por não ser feita de látex, ela pode ser usada por quem tem alergia ao dito cujo, um fato que merecia mais destaque na página do fabricante. Outro destaque dado pelo fabricante na página desse produto é “Sensibilidade incomparável / material quase imperceptível”… Na loja online indicada pelo fabricante, a embalagem com 03 sai por R$ 5,46 (R$ 1,82 a unidade).

- Blowtex Premium (http://www.blowtex.com.br/prod_18.php) – Feito do mesmo poliisopreno que o modelo anterior, esse aqui sim é claramente destacado na página do fabricante como sendo “antialérgico”, além de “Sensibilidade incomparável – textura lisa”. Possui uma embalagem diferente e, ao menos na teoria, mais prática de abrir. Na loja online indicada pelo fabricante, a “cartela” (a embalagem é diferente, lembra?) com 02 sai por R$ 4,63 (pouco mais de R$ 2,30 a unidade).

Mas é seguro?

Um estudo da Associação Proteste falou sobre dois dos modelos aqui citados (http://www.proteste.org.br/). A íntegra do estudo você confere aqui: http://www.proteste.org.br/saude/20110225/preservativos-nao-deixam-furos-Attach_s536011.pdf. Infelizmente o link original foi retirado do ar, mas você pode ler um pouco sobre camisinhas na página da proteste: http://www.proteste.org.br/saude/camisinha (e alguns comentários específicos sobre as antialérgicas aqui: http://www.proteste.org.br/saude/camisinha/noticia/camisinhas-opcoes-para-alergicos).

Para quem não quiser ver o estudo todo, alguns destaques pertinentes:

O estudo citou o preservativo Unique como sendo uma opção válida para os alérgicos e que se demonstrou segura durante o teste, mas destacou que ele tem um aspecto “de saco plástico”,  bem diferente dos demais preservativos (incluindo os outros antialérgicos), além de ser mais caro. Além disso, a afirmativa de ser “até 3 vezes mais resistente” não foi confirmada: a resistência medida no teste mostrou que o produto é resistente o suficiente para ser seguro, mas não 3x maior que a dos demais. Parece que o principal apelo do produto, fora o fato de ser hipoalergênico, é a maneira diferente de aplicar, juntamente com sua embalagem que parece um cartão de crédito.

O estudo citou, ainda, o Blowtex Premium, aliás, não só citou como elegeu “o melhor do teste” (que incluiu vários modelos e marcas não-antialérgicos). Com pontuação 96/100, segundo o teste, esse modelo tem espessura maior que os modelos “extra finos”, mas menor que vários modelos “tradicionais”, passou no teste de toxicidade (realmente não provoca reações nas células expostas a ele), resistência máxima, boa lubrificação e passou também no controle de qualidade (ausência de furos no lote, rotulagem devida e resistência a estouro).  Se você quer algo de qualidade e sem “características extras” (como aroma), esse aqui é pra você (segundo o teste), mesmo que você não seja alérgico.

Um modelo da marca Preserv (mas não o antialérgico citado anteriormente aqui no post) estava no teste e ficou com a 3ª maior nota (86/100). Era o Preserv Lite. Um fabricante fazer um produto bom não indica automaticamente que todos os produtos desse fabricante sejam bons, mas ao menos já é uma referência.

Como curiosidade, o modelo tradicional (embalagem preta) da mais que conhecida marca Jontex, foi o modelo com menor nota (60/100) no estudo (sim, o modelo distribuído gratuitamente pelo governo não foi o com pior nota…). Ainda assim ele atende às normas brasileiras e é considerado seguro para uso. Na verdade, nenhum dos modelos testados foi reprovado, o que indica que quem quiser se proteger tem várias opções e não precisa ficar preocupado(a) com a qualidade das camisinhas.

E para a mulherada?

Não é novidade para a maioria das pessoas a existência da camisinha feminina. E ela é ótima opção para quem tem alergia a látex pois, por padrão, as camisinhas femininas são feitas em poliuretano ou borracha nitrílica, ambos materiais hipoalergênicos (mas lembre-se sempre de conferir na embalagem quando for comprar). Apesar de certa resistência por parte de muitas pessoas, o preservativo feminino tem algumas vantagens em relação ao masculino, como poder ser colocado até 8 horas antes da relação e não depender da ereção por parte do homem… Para servir de referência pra que quiser conhecer, segue uma marca:

- Della (http://preservativofeminino.com.br/Site/) – O site é bem completo (leia-se: você pode encontrar mais informações por lá) e conta até com uma seção de “onde encontrar” (a dita camisinha feminina à venda). A camisinha feminina costuma custar entre R$ 5,00 e R$ 10,00 a unidade.

Mas atenção:

Se você usou uma camisinha e sentiu um desconforto/reações desagradáveis depois do ato, não necessariamente você tem alergia a látex. Tente mudar de marca (o estudo da Proteste mostra que modelos e marcas diferentes têm graus diferentes de “toxicidade” e, portanto, chances distintas de causar reação em alguém que tenha algum grau sensibilidade, mesmo sem ter alergia) ou, se você usou alguma aromatizada ou colorida, tente usar uma “simples”. Você pode ter alergia ou sensibilidade a corantes ou aromatizantes. Além disso, o próprio óleo de silicone usado como lubrificante pode causar alergia. Então você pode querer usar um preservativo sem lubrificação combinado com um lubrificante à base de água (como o mais que famoso KY). De qualquer forma, se você teve alguma reação e quer ter certeza se você é alérgico (e a que você é alérgico) consulte um médico alergista.

Se você conhecer mais sobre o assunto, compartilhe conosco via comentários.

Rafael-san

Sobre Rafael-San

Autor do Aglomerado News

One thought on “Aglomerado Saúde: Camisinhas Antialérgicas (sem látex)”

  1. Hailton disse:

    Estava muito insatisfeito com as camisinhas comuns. O problema era que á medida que ia diminuindo a lubrificação a camisinha começava a apertar a cabeça do meu amigo, perdendo completamente a sensibilidade. Agora, estou usando a Preserv Premium e estou bem satisfeito. Só fico um pouco inseguro quanto à resistência do material. É tão fino que parece que vai aguentar.

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