Coisas que vi no Metrô… #2

Outro dia voltava para casa depois do trabalho, já por volta das 21h. Por uma “sorte” dessas (ou por incompetência da Metrô Lixo), a composição destino Pavuna demorou quase o triplo do tempo que deveria (passaram 2 no sentido Saens Pena) e ainda por cima veio uma composição de 5 carros e não 6. Resultado: todo mudo coladinho no metrô lotadinho.
Como eu estava junto de um colega de trabalho, estava sem desfrutar do meu MP3 (impossível seria jogar PSP naquele vagão de qualquer modo) e então começa a coletânea de “pérolas” e coisas curiosas…

1- Havia um grupo de umas 4 pessoas conversando no canto do vagão. Pelo que eu entendi, 2 delas era marido-e-mulher ou algo semelhante e tinham filhos. A mãe contava as proezas de um deles (até aí, normal) e começa: “… esse vai dar pros estudos mesmo… mas aí o [fulano] pode ser ser jogador de futebol (¬¬) e o [ciclano] pode ser pagodeiro (¬¬”)”. Nisso o pai intervém “Isso, aí eles podem participar do Big Brother 30!” Até aí, salvo o péssimo gosto dos pais e a minha dúvida de como pais tão jovens teriam 3 filhos (trigêmeos?), a conversa ainda podia ser considerada “normal” e um tom leve e de brincadeira reinava na conversa. Após dar uma risada da fala do pai, a mãe muda o tom da conversa para um sério e manda: “Não, porque EU (notaram a ênfase no “eu”, certo?) já decidi… quando eles crescerem, eles VÃO TER que sustentar a gente!” Gente, quando eu ouvi isso automaticamente uma das minhas sobrancelhas levantou e eu olhei em direção ao falatório. O pai estava com uma cara normal, ninguém ria como se isso fosse uma piada e o tom da conversa era o mais sério e sóbrio possível; a própria mãe fazia uma expressão de triunfo e continuou com alguns comentários (não recordo exatamente o que, visto o lapso temporal transcorrido do dia do ocorrido até hoje) que me limaram praticamente todas as dúvidas de que isso poderia ter sido uma brincadeira.
Ó que coisa legal: você faz um filho (ou mais), então você dedica seu tempo para criar seu filho, não para que ele seja uma pessoa bacana e para que ele seja feliz, mas sim para seu filho sustente VOCÊ, a pessoa mais importante do universo! Ele, seu filho, que se DANE, VOCÊ é que importa! Agora senhora mãe anônima (para mim) que estava no Metrô, eu te pergunto: Se você REALMENTE segue essa lógica, NO MÍNIMO é você que sustenta a sua mãe e o seu pai, CERTO!? Por algum motivo, eu tenho uma quase certeza que a resposta para minha pergunta é “não”…
2- O grupo da conversa sobre filhos já me deixara meio abismado (apesar de não ser surpresa nenhuma a existência pessoas que pensem assim, ainda é uma experiência desagradável ver as pessoas dando esse tipo de exemplo de como NÃO ser uma pessoa legal), mas a viagem de metrô ainda tinha me reservado mais. Três garotas conversavam (sacou: 3 meninas conversando, olha que cenário perigoso!) quando uma risada nada discreta de uma delas me chamou a atenção para a existência delas no vagão (basicamente ao meu lado) e começa: “…a minha mãe diz que eu vou ter que ter uma marido só para abrir lata e pote (até aqui nada muito assombroso), que quando eu for cozinhar o cara vai ter que abrir as latas e embalagens todas para eu só usar… mas imagina… EU cozinhar, ah, fala sério!? Eu, cozinhando?” É, né, minha filha, realmente é UM ABSURDO, você, a Imperatriz da Via Láctea, ter que cozinhar afinal, você nem precisa mesmo desse ato tão grosseiro e ralé que é o ato de comer, né! ¬¬ . OK, eu vejo alguns leitores dizendo que ela pode ter dito isso por uma total inabilidade culinária, mas não, o tom de desprezo, de repulsa contido na fala dela me faz ter certeza que a inaptidão dela na cozinha é consequência do modo de pensar dela e não o contrário.
Mas não acabamos! A mesma pessoa continua: “É, mas numa coisa ela está certa: eu não consigo abrir lata nenhuma. NEM LATA DE REFRIGERANTE. Eu sempre quebro o anel (!), aí tenho que pegar uma faca e ficar batendo na latinha pra abrir (!!!)”. Essa até hoje eu me pergunto se a dona em questão usou de hipérbole e estava fazendo graça ou se ela é realmente tão tchonga a ponto de não conseguir beber um refrigerante por conta própria. Mas vindo da “Miss EU”, não duvido não. O que leva uma pessoa que não é nem rica e endinheirada a ponto de viver “fora da realidade” a ter um pensamento assim? A infeliz seguia para a Pavuna (segundo uma fala dela mesma a uma das colegas ela tinha “que aturar essa outra aqui até a Pavuna, sorte sua que desce em Del Castilho”), subúrbio MESMO, divisa com a região da Baixada Fluminense, então com certeza ela não era de classe alta. Também não era linda, gostosa e maravilhosa a ponto de poder ter “garantido” ou marido rico ou um trouxa pra aturar as vontades dela. Como alguém que muito provavelmente vive com a realidade dura da vida ao redor consegue crescer com uma noção tão distorcida de coisas básicas e essenciais? Acho que alguém precisava levar uns corretivos… os pais dela, muito provavelmente!
A mesma figura ainda rendeu algumas frases cômicas, das quais infelizmente eu não me recordo, mas uma envolvia seu encontro com um lagarto durante uma vez que ela acompanhou um namorado numa trilha. Durante o “causo” ela fez questão de ressaltar o quanto ela ODEIA “natureza” e “essas coisas de ter que ficar subindo, pisando em pedra” (acho que ela se referia a alguns terrenos íngremes e rochosos que compõem algumas trilhas). Eu consigo imaginar que o pobre lagarto quase deve ter infartado com o ataque de pelanca que ela deu ao dar de cara com o pobre bichinho. Enquanto ela narrava seu encontro com o lagarto e sua repulsa por “natureza”, eu me perguntei do que ela gostava, além dela mesma e de refrigerantes (sim, porque se ela se dá ao trabalho de abrir latinhas de refrigerante batendo com uma faca na parte da lata que o anel normalmente arrebenta, ela deve gostar -E MUITO- de refrigerante). Esse povo, tem cada um que aparece…
Naquela noite a viagem terminou sem mais coisas relevantes a relatar, mas no dia seguinte eu tive o “gostinho da vingança” de ver a própria demência da criatura causando incômodo a ela mesma (e, infelizmente, a outros também)…
3- Estava eu esperando o Metrô chegar (e, como de praxe, ele já se demorava um bocado…), quando ei-lo que surge refulgente (hein!?) no horizonte. Já esperava por um metrô mais cheio que o habitual devido à demora deste… e ele não me decepcionou: estava cheio. Mas a cena curiosa ocorreu antes mesmo da minha entrada no vagão. Uma moça, assim que a composição parou, plantou-se EM FRENTE AO MEIO DA PORTA (e, diga-se de passagem, era a porta mais próxima da saída da estação… fato notório e sabido de todos os que lá descem habitualmente). Pinte a cena: o metrô demorou mais que o habitual e veio CHEIO. A estação tem uma única saída. A estação fica quase que anexa a um shopping, basta você andar metade de uma passarela para se ver DENTRO DO SHOPPING, literalmente. E ela, inquestionavelmente o centro do universo, se posta bem em frente, coladinha, à porta do metrô, esperando que a mesma se abra para que ela possa entrar. Porque, claro, as duzentas cabeças apertadas dentro do vagão iriam dar espaço para ela subir, para só então eles todos poderem descer (desafiando toda lógica e bom senso). A cena que se seguiu seria cômica se a meus olhos não fosse deprimente. A dona, ágil, deu o primeiro passo para dentro do vagão e… no primeiro passo ficou! A massa de gente começou a sair, ignorando a presença dela ali tentando adentrar o vagão. Ela, por sua vez, lutava bravamente para não ser retirada do vagão, enquanto as demais pessoas que queriam entrar no mesmo, esperavam nas laterais próximas à porta, para que o povo pudesse descer… e cada esbarrão que ela levava, ela rodava pra tentar se desvencilhar de quem esbarrou nela… como resultado final ela deu uma volta e meia em torno de si mesma, levou vários esbarrões e empurrões e, se eu percebi bem, não conseguiu “assegurar” o ponto que ela queria dentro do vagão. Se eu bem notei certo, ela tentou entrar logo pra ficar num ponto “melhor” do vagão (tipo encostada na parede), mas alguém que ao invés de lutar contra todo mundo que saía do vagão (e atrapalhava a estes) deu passagem ao povo, conseguiu entrar antes dela (que ainda atrapalhava e era atrapalhada pelos últimos a descer) e tomou o lugar que ela desejava… e ela ficou lá com cara de raivosinha dentro do metrô. Quem mandou ser BURRA?
Fala sério, galera, o que tem dentro da cabeça de alguém pra fazer algo tão imbecil assim? Como pode alguém não notar de antemão, que algo tão óbvio assim não ia dar certo? Uma cena dessas onde uma pessoa dá uma demonstração gratuita dessas de falta de educação, de falta de noção, de falta de bom senso, de falta de INTELIGÊNCIA (alô, tico e teco, alguém aí?) me causa uma sensação de… acho quem nem sei dizer, é algo tão estapafúrdio! Como as pessoas podem viver num mundinho tão pequeno, tão egoísta, tão absurdamente egocêntrico a ponto de acharem que o filhos têm obrigação de sustentar os pais (não falo aqui da obrigação civil de os filhos prestarem assistência aos pais idosos e hiposuficientes, mas sim de pais que querem que os filhos sejam “bem sucedidos” na vida para poderem bancar mordomias e vida boa pros pais) ou de achar que a mera ideia de cozinhar é algo assim quase asqueroso ou ainda de que você, um ninguém de no meio de outros “ninguéns” é mais importante ou é especial (ou sei lá se essa gente PENSA algo) e que vai conseguir entrar num vagão entupido quando mais de 20 pessoas tentam sair pela mesma porta que você tenta entrar? Me pergunto para onde essa geração está levando o planeta (sim, as personagens destes causos todas deveriam ter entre 18 e 30 anos, então elas não são “o futuro”, mas sim gente que constrói o presente). Quando eu vejo coisas assim, eu entendo um pouquinho de como pensam aqueles que não têm fé nenhuma na humanidade… mas Rafael-san ainda acredita que é pra frente que esse mundo anda, apesar de tudo…
Espero que os próximo “causos” que eu venha a trazer sejam mais engraçados ou meramente curiosos que esses… esse post foi bem temático, mas a curiosidade maior é como o intervalo de tempo entre esses ocorridos foi curto…
Até a próxima,
Rafael-san, O Enxugador de Gelo

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  4. By WoM

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  7. By Tom

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