Papo Aglomerado: Entrevista com Adriano Renzi

É com muito orgulho que abrimos esse novo espaço no Aglomerado News, entrevistando pessoas que fazem a diferença. Nesse primeiro Papo Aglomerado, entrevistamos o designer, ilustrador e professor Adriano Renzi.

Integrante do grupo de ilustradores da SIB (Sociedade dos Ilustradores do Brasil) e bastante influente no mercado de ilustração infantil no país, Renzi fala um pouco sobre seu processo de trabalho, como foi parar nesse ramo e o que acredita ser importante para se tornar um bom profissional.

  

01) Normalmente, durante o processo de crescimento profissional, aqueles que tem alguma habilidade gráfica ficam perdidos na hora de decidir em qual direção andar, devido a tantos segmentos gráficos diferenciados. Em que momento você pensou “quero trabalhar como ilustrador?”

Apesar de ter iniciado profissionalmente no mundo digital durante os primordios da web no Brasil, eu sempre quis trabalhar com livros e sempre tive a inquietude de desenhar. Juntei os dois impulsos enquanto trabalhava na equipe de design do departamento nacional de livros da Biblioteca Nacional, guardei economias e ingressei no programa de ilustração na University of the ARTS, em  Philadelphia. Fiz uma nova graduação e me encontrei graficamente.


02) Quais são suas referências visuais e quais os artistas que mais te inspiraram?

Como o meu contato com ilustração se deu principalmente nos EUA, minhas referências iniciais são de lá. Tenho artistas que gosto muito da técnica e as vezes tento observar e destrinchar o caminho que suas ilustrações foram feitas, como Charles Santore, Brian Ajar e mais recentemente o Cárcamo. Mas creio que mais do que me inspirar em técnicas tive amigos e professores que me inspiraram e ainda inspiram. São referências mais fortes que vão além do desenho.


03) Seus trabalhos tem um apelo muito forte para o público infantil. Quais são os parâmetros essenciais pra conquistar o olhar de uma criança?

O melhor de desenhar para crianças é inserir elementos gráficos escondidos que só elas percebem. Adultos não reparam em detalhes.

04) Como você lida com a questão que apavora os profissionais de criação: o bloqueio criativo?

Eu ainda não tive bloqueio. Começo a desenhar e se não der certo, desenho de novo. Algumas das minhas melhores idéias surgem também quando saio do estudio para fazer outra coisa. Muitas vezes o ato de passear com minha labrador traz uma idéia que eu vinha matutando o dia todo. Então eu anoto e desenho. Tento sempre ter comigo um sketch book para desenhar. Existem também técnicas de criatividade que ajudam muito a iniciar um direcionamento. A que eu recomendo e utilizo em minhas aulas de representação gráfica é o mood board.


05) Quanto tempo, em média, você leva para finalizar um trabalho?

Depende do trabalho. Um livro infantil requer tempo para pesquisar, rascunhas personagens, rascunhar cenas, troca de idéias com editor e as vezes com o escritor também. Após tudo pré-definido o desenvolvimento vai muito rapido. Do inicio ao fim um livro leva entre 2-3 meses, dependendo do tamanho. Quando o trabalho é apenas uma ilustração, as vezes dá para resolver em 1-3 dias, dependendo da técnica a ser utilizada.

06)  Ilustração digital ou manual?

Apesar de eu andar experimentando pintar com a tablet, tenho muito mais desenvoltura e rapidez manualmente com aquarela.

07) Como você enxerga o atual cenário de ilustração brasileira, tendo em vista que o mercado internacional tem valorizado bastante os nossos profissionais?

A abertura de oportunidades para os ilustradores brasileiros é um reflexo da abertura do Brasil para o mundo. Tudo é interligado, como nas conexões de hipertexto de Pierre Lèvy. Essa abertura é otima para aparecermos mais no cenario mundial e a sequência de possibilidades da ilustração brasileira reside no posicionamento propfissional dos ilustradores, principalmente os que começam a ingressar no mercado. A Sociedade dos Ilustradores do Brasil vem fazendo um papel fundamental para se posicionar, educar e fomentar conhecimento sobre direitos autorais, mercado e ilustração. Tenho orgulho de fazer parte desse movimento.

08) Quais novos ilustradores você enxerga como talentos a serem observados?

Muita gente nova talentosa aparecendo, mas eu não conheço muitos nomes. Não costumo acompanhar revistas nacionais e as vezes algum nome que soa novo para mim acabo descobrindo que está no mercado a mais tempo do que eu. Vou citar então alguns ilustradores que eu conheço pessoalmente e já estão conquistando terreno (alguns ex-alunos): Taline Schubach, Flavio Pessoa, Jefferson Nepomuceno e Sandra Ronca. Vibro quando descubro uma nova conquista deles


09) O que você teria a dizer sobre a experiêcia de levar o talento nacional para o outro lado do mundo?

Participar do IlustraBrazil em Xangai foi uma ótima experiência com repercussões na midia do mundo todo. Quando se pensa que o assunto é passado aparece mais alguma reportagem sobre o evento. Uma pena eu não ter conseguido ir pessoalmente na abertura da exposição e participar da montagem. Acredito que ano que vem venhamos expor em outros pontos do mundo afora.


10) Dê uma dica pra quem está interessado em ingressar nesse ramo mas não sabe como começar.

Não há receita de bolo. Mas adianto que desenhar é apenas 50% do trabalho. O ilustrador precisa ser administrador, gerente de projetos, atendimento, negociador de contratos, entender de planejamento estratégico, saber escrever profissionalmente e conhecer marketing.  Especialmente se pretende manter o próprio estúdio. Além do conhecimento técnico é necessário conhecimento cultural e muitas vezes científico. A melhor dica é ler muito, desenhar, desenhar, desenhar, fomentar a própria cultura visual e aprender a observar. O proximo passo é contruir um portfolio consistente que expresse quem você é. O desenho é a maneira do ilustrador se expressar e portanto deve se apresentar de um modo só seu.

Site Oficial de Adriano Renzi
Site Ofcial da SIB

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