Trabalhando com desenho e ilustração no exterior

Navegando pelos meus 923475684725684573648573468537428347 de sites favoritados, procurando conteúdo relevante pro Aglomerado, eu parei no webARTz, que é um site especializado em falar de design gráfico, web design, tecnologias pra web e coisas assim. Me chamou a atenção um post sobre “como sobreviver no mundo da ilustração no exterior”. Pra quem não sabe, eu sou ilustrador e acho importante passar esse tipo de informação para aqueles que tenham a vontade de seguir a área de trabalho NADA facil e nem sempre reconhecida. Eu mesmo não tive muita informação do gênero, e aprendi da forma mais complicada: tomando na cara!


*********************************************************************************

Ok, você desenha, gosta de quadrinhos, games e ta a fim de trabalhar com isso, mas não sabe nem por onde começar.
Vamos começar pela parte que dói. Se você quer viver disso, o Brasil não poderá ser teu foco. Apesar de consumir isso mais do que docinho em festa de criança, nosso mercado não paga bem pra games e quadrinhos (e eu to falando aqui das coisas mais “hardcore”, não de quadrinho/game institucional, publicitário ou educativo, que, apesar de até dar grana, eu particularmente acho mais brochante que a Dercy Gonçalves). Qualquer empresa bem sucedida nesse ramo tem na sua lista de clientes e foco principal o mercado internacional, que é onde rolam os pagamentos dignos e o reconhecimento melhor do que o mero tapinha nas costas.
Sabendo disso, eu vou discutir aqui alguns lances importantes que é preciso ter em mente antes de qualquer incursão numa jornada de trabalho lá fora.
Ser desenhista/ilustrador freelancer não é a coisa mais fácil do mundo. Tenha em mente que ao escolher esse caminho você dividirá sua vida entre desenhar e ser empreendedor. Você é uma empresa e, até ter tanta grana no bolso quanto o Alex Ross (ok, não tanto,) e poder ter uma agente gostosona cuidando dos negócios, é você quem vai atrás de trabalho, negociar com clientes e se meter e “desmeter” (ui) em enrascadas.
Há certa diferença entre trabalhar aqui no Brasil e fazer serviço pra fora. Primeiro é a burocracia. Brasileiro adora papelada, imposto, registro, etc. E lá fora a coisa é bem mais light nesse sentido. Você assina contratos por assinatura eletrônica e seu e-mail conta como um documento válido de negociação, raramente você vai precisar de papelada impressa, autenticações, blábláblá e assim mais arvorezinhas sobrevivem à devastação. Portanto é importantíssimo prestar atenção aos detalhes da negociação, principalmente no que diz respeito aos direitos de uso de imagem (lembre que a lei de Direitos Autorais não é a nossa) e pagamento.
Só toma cuidado se precisar registrar teus ganhos pra Receita Federal brasileira não levar tua casa depois (mais uma vez nossa porca burocracia dando dor de cabeça).

1- Avalie seu cliente
Não é porque o trabalho é pra fora que não existe gente mal-intencionada, pelo contrário. A inexperiência e falta de caráter se encontra em qualquer lugar então fique atento. Mesmo negócios pequenos podem dar dor de cabeça então avalie o grau de maturidade e responsabilidade do cliente. Trabalhar com cliente inexperiente quase sempre acaba gerando problema e isso é muito comum em projetos de quadrinhos e games independentes. Portanto procure saber se o projeto é sólido antes de embarcar no job.

2 – Preço
Ganhar em Dólar é massa, em Euro mais ainda. Mas não se iluda e coloque o pé no chão. A tabela internacional é bem melhor do que a nossa, mas não quer dizer que você pode sair extrapolando, principalmente no início. Em alguns casos, com projetos que já tem um capital de investimento definido o cliente pode vir com uma verba já estipulada para a arte e aí cabe uma negociação sua se esse valor não refletir o que você espera. Em outros, ele vai solicitar um orçamento. Pesquise bem antes de mandar seu preço e não faça coisa de graça só porque é pra gringo, lá também existe o mesmo conto do “isso vai promover o seu trabalho”.
Lembre que provavelmente você estará negociando com um cara do outro lado do oceano, se ele te enrolar, vai ser complicado mandar teu primo que faz jiu-jítsu colocar pressão. Então, seja cauteloso, faça sua parte para garantir que vai ser pago, mas tenha cautela na hora de entregar o produto final. Trabalhe com fórmulas como 50% na aprovação do Sketch + 50% na entrega do produto final. Geralmente eu mesmo faço assim:
1- ) Após a negociação de valores e prazos, estipulo a data de mostra do sketch. Com a aprovação desse, eu recebo 50% do valor total.
2-) Com a imagem finalizada, eu apresento uma versão em baixa resolução e marca d’água para o cliente fazer o pagamento restante. Aí então eu envio o produto final.
3-)Se o serviço for grande, como concept de várias peças, procure trabalhar com “packs” e ir recebendo por eles, assim você não fica sem grana por um longo período e garante que se o projeto não for até o final, você já recebeu sua parte.
Atualmente, para mim, a melhor forma de receber é via Paypal. É rápido, prático e agora envia a grana direto pra sua conta no Brasil.

3 – Seja bom
Estamos falando de um mercado internacional e tem muita gente neste nicho. Existe muito serviço, mas só se contrata gente boa. Estude muito e melhore suas habilidades a cada dia. Isso vai te garantir um nível competitivo e requisitado. Tanto no que diz respeito à técnica quanto à responsabilidade. É preciso ser bom no que se faz, para que haja fidelidade, confiança e referência.
Autocrítica é essencial (mas sem auto-flagelagem, please, senão você vira um pulha) e não precisa ser muito inteligente pra saber se teu traço é bom ou ruim. Basta dar uma olhada no que anda sendo publicado por aí que dá para se criar uma boa base de análise.

4 – Organize-se!
Pare de sempre dar aquele jeitinho e seja responsável. Quando a coisa engrena, a carga de serviço é maior do que baiano em carnaval e se você não souber se organizar, respeitar prazos e mantiver a qualidade vai acabar se atolando e ficando queimado no meio (uêpa!) da comunidade.
Por experiência própria, prazos são importantíssimos e a depender do projeto um dia de atraso pode fazer você perder o job. Caso haja imprevistos, comunique-se. Recebo muitos clientes que já tiveram problema com artistas que simplesmente sumiram do mapa.
Só pegue serviço que você sabe que vai dar conta!

5- Network
Uma das coisas mais importantes e que vai garantir que sempre tenha serviço chegando é a rede de contatos que você adquire no decorrer de uma carreira. Nunca menospreze um cliente pequeno, pois ele pode te arranjar muitos outros clientes. Uma boa referência do teu trabalho te arranja serviço sem você precisar procurar então seja responsável em todos os aspectos.

6- Saiba inglês!
Sério, não há como trabalhar pra fora sem que você saiba se comunicar na língua universal. Desde a negociação à leitura do briefing existe a exigência de um domínio de inglês em um nível mínimo aceitável. Não tem como você interpretar a informação sem saber inglês ou arranjar alguém que faça isso por você (um agente). Você não precisa passar anos em um curso. Com dedicação, alguns games e horas de rock in roll dá pra se virar em Nova York sem passar fome, pois idioma é muito uma questão de prática.

7- Por onde começar
Primeiro você precisa ser bom. Depois, você precisa aparecer. Monte seu site, portfólio online etc. (não mande imagens por e-mail a não ser que te peçam isso, é mais preferível que você coloque links para sua galeria.) A partir daí, comece seu network, conheça pessoas da área, visite fórums. A internet é o melhor lugar pra fuçar oportunidades. Uma boa dica é o fórum do Conceptart.org, onde há áreas para procura e oferta de serviços, mas tem de tudo, então fique ligado. Uma coisa é certa, existe uma reação em cadeia que te garante novos serviços uma vez que os seus primeiros trabalhos começam a sair.

*********************************************************************************

Texto by webARTz

Comments

  1. By Vitor

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *