Dicas para uma boa prova de concurso público

Post Atualizado! Dois novos itens acrescido e marcados com um “(Novo!)” para os nossos amigos concurseiros. São questões que uma colega de curso me lembrou e que, se aconteceu com ela, pode acontecer com outros (e acontecem, como eu disse, ela “me lembrou”, pois eram problemas que eu já conhecia).

Introdução:

Bom, não existe fórmula mágica para uma boa prova de concurso público, mas algumas boas práticas podem lhe ajudar ou, ao menos, fazer com que você se estresse menos / evite aborrecimentos desnecessários. Algumas dicas aqui também valem para vestibular. A coisa mais óbvia de se dizer nem conta como dica, mas não pode deixar de ser dita: prepare-se bem e estude bastante para a prova! Se você tem problemas com organização, fazer um cursinho pode ser fundamental. Se você não tem, ainda assim pode fazer muita diferença a seu favor. Se te falta a grana para um curso, compense com esforço: apostilas, internet… existem opções mais baratas (e algumas de graça) que um curso e cuja efetividade depende mais de você, candidato, do que de qualquer outra coisa. Se você tem algum amigo que faz curso, veja se ele pode gravar as aulas para você.Muitas das dicas deste post passam pelo seu comportamento antes mesmo de fazer a prova e são mais dicas para você evitar aborrecimentos e estresse desnecessário do que de como resolver a prova, mas mais no final eu vou incluir alguns toques sobre a feitura da prova em si.

Mal Universal do Brasileiro: Horário

Se programe MESMO para estar no local da prova com a “1 hora de antecedência” que as bancas pedem. Se possível procure chegar faltando um pouco mais que a “1 hora” pedida. Como imprevistos acontecem, em caso de algo lhe atrasar, há algum tempo disponível para que você gaste contornando o imprevisto e chegue a tempo da prova. Mesmo que você chegue antes ao local, não há problema, você vai esperar o portão abrir (e como há tempo, você pode até esperar o “estouro da boiada” inicial passar para entrar sem empurra-empurra) e terá tempo de sobra para achar sua sala e se acomodar nela, especialmente quando não há lugar marcado e você pode optar por se esquivar de alguns locais sabidamente problemáticos (vide tópico mais abaixo).

Onde fica?

Se informe com antecedência sobre como chegar ao local da sua prova (se você já não souber) e quais opções você tem para ir e para voltar do local. Se necessário, programe uma corrida de táxi para a ida (pra não se atrasar) com uma cooperativa confiável. Não relaxe demais caso o local seja perto da sua casa / de fácil acesso. Sempre tenha um plano B!

Onde sentar-se?

Algumas bancas marcam o lugar do candidato na sala, aí não tem jeito, mas se não for esse o caso, evite sentar em locais sabidamente problemáticos. Três “clássicos” são:

– Em baixo do ventilador de teto: Ele vai ficar soprando as folhas da sua prova e te atrapalhando, fazendo você perder tempo numa briga contra os papéis (prova, documentos, cartão de resposta…), te estressando desnecessariamente e fazendo você se distrair. Mesmo que esteja calor, evite sentar em baixo dele…

– Ao lado da janela (especialmente onde bate sol): Sentar ao lado da janela é ruim porque no meio do estresse da prova é fácil se distrair olhando para fora (acredite: você faz inconscientemente). Acrescente pontos negativos se estiver batendo sol daquele lado da sala: o sol vai te incomodar pelo calor e a claridade excessiva, te atrapalhando na leitura da prova. Se você é especialmente distraído e o local não tiver ar condicionado (que obrigaria a se manter a porta fechada), evite também locais onde você possa ver facilmente o que se passa do lado de fora, através da porta.

Em frente à saída do ar condicionado: Aquele ventinho frio que é muito agradável (quando está calor) assim que você entre na sala, depois de um tempo de prova vai te incomodar… e muito! Evite sentar onde o vento do ar condicionado esteja soprando diretamente… ficar três, quatro, cinco horas tomando aquele vento gelado vai fazer você imaginar que o inferno deve ser, na verdade, gélido…

Com que roupa…?

Existem pessoas que acham que indo bem vestidas, elas “impressionam” e “botam pressão” nos concorrentes… para alguns casos, pode até ser… mas sério: BESTEIRA! Tudo bem que você não vá de sunga / biquíni fazer a prova, mas você não precisa ir como se estivesse indo a uma audiência judicial ou a um casamento: vá com algo confortável e proporcional ao tempo que estiver fazendo… se você for muito friorento(a) e estiver calor, leve um casaco na bolsa para o caso de o local ter um ar condicionado dos bons.

Fique calmo

É normal haver um certo nível de expectativa com relação a prova, mas procure ficar o mais calmo/relaxado possível. Quanto mais nervoso se está, maior a propensão de ocorrerem “brancos” ou de se errar besteiras (como transcrever a resposta errada para o cartão-resposta). Lembre-se: você não tem nada a perder caso não passe na prova (exceto o dinheiro da inscrição), mas se passar, tem muito a ganhar, então ficar nervoso só estará lhe deixando mais longe da sua conquista… como não há “punição” para quem não passa, relaxe!
“Faça os exercícios como se fossem a prova, faça a prova como se fosse os exercícios” é uma frase que, bem interpretada, é uma boa sugestão a ser seguida pelos concurseiros.

Comida

Duas coisas a serem ditas sobre comida. Primeira: desde a antevéspera da prova, pegue leve com o que come… você não quer arranjar uma infecção intestinal ou algo que o valha e perder a prova por ficar preso no banheiro. Segunda: leve algo para mastigar durante a prova, ficar com o estômago te incomodando enquanto pensa não é nada bom, mas use o bom senso: nada daqueles embrulhos que vão ficar rangendo e atrapalhando os demais candidatos… com o nervoso da prova não custaria muito para alguém comprar briga com você e, na pior das hipóteses, ambos serem desclassificados. Correr atrás do prejuízo depois é bem pior do que evitar a dor-de-cabeça. O que você leva pra comer vai do seu gosto: pode ser um biscoito, um bombom… ah! Pode ser uma boa antes de sair de casa comer um ou dois bombons ou uma daquelas barrinhas PEQUENAS de chocolate (não vá se entupir de chocolate e “enfrentar as consequências” durante a prova!): na hora da prova a glicose do açúcar ingerido vai estar no seu sangue e você terá melhor disposição para pensar…

Eletrônicos e similares…

É lugar comum as bancas pedirem para os candidatos não levarem celulares, mp3 (4, 5, 6, 7…), relógios digitais, calculadoras, etc. por causa de tentativas de fraude. Faz algum sentido, mas vamos com calma: você sai para fazer a prova, talvez em um lugar como o Rio de Janeiro (que é o meu caso), num Domingo (ou Sábado), que pode ser chuvoso… e você estará sem nem um celular para emergências!? Tá certo que você não precisa (e nem deve) ir como uma árvore de Natal eletrônica, levando tudo de digital  que a modernidade lhe permita para a prova, mas eu acho que ao menos o celular a banca não pode te impedir de levar… mas lembre-se de desligar a função de despertador do celular e de desligar o aparelho em si! Se possível, deixe-o dentro da bolsa! Se a banca oferecer algum método para guardar o celular, use-o. Assim você evitará problemas.

De olho no não-relógio

Controlar o tempo de prova é algo muito importante, mas algumas bancas proíbem o uso de relógios. Em geral, essas bancas fornecem algum meio (a ser operado pelos fiscais de sala) de se controlar a passagem do tempo, mas a coisa não é tão precisa já que os fiscais são humanos e podem se distrair. Então use seu bom senso e tenha em mente que você pode perguntar pro fiscal que horas são, mas não vá me fazer isso a cada duas questões resolvidas! Leve em conta que além de fazer a prova, você terá de preencher o cartão-resposta e que isso não deve ser feito às pressas, então inclua um tempo razoavelmente folgado para preencher o cartão-resposta (o quanto de tempo você reserva deve ser proporcional ao número de questões da prova).

A prova em si…

Não existe uma fórmula secreta para se resolver bem a prova, mas pelo que eu já passei e pelo que ouço, eu posso deixar aqui algumas sugestões…

Comece com Português. Português inclui (leitura e) interpretação de texto, o que exige um certo grau de atenção especial. No início da prova, de cabeça mais fresca, é quase certo que sua atenção estará melhor e sua leitura/interpretação funcionarão mais a contento que depois de você já ter queimado a mufa com outras matérias.

Depois disso, faça as matérias na ordem que você se sentir mais confortável: comece por aquilo que você acha mais fácil / sabe mais e vá passando para o mais difícil, assim você passará pelas matérias que domina melhor menos cansado e terá uma chance menor de errar por falta de atenção. Perder “de bobeira” uma questão que você sabe é desastroso, perder uma que você não sabe é triste de qualquer forma, mas aceitável…

Não insista indefinidamente na mesma questão: se não sabe / não lembra / a resposta escapuliu no momento, pule a questão e vá em frente. Volte depois. Se quiser, pode tentar o que eu faço: faça todas as questões da prova que você sabe. Passe essas questões para o cartão-resposta (cuidado para não se confundir na hora de marcar, já que há questões puladas!). Aproveite o momento após a marcação das questões “garantidas” para ir ao banheiro (se estiver com vontade), beber uma água ou comer algo. Enquanto você faz isso, seu cérebro dá uma esfriada. Mas como você corre contra o relógio, não demore muito! Agora que você já fez um pit stop, retorne e veja se você consegue lembrar algo dentre as puladas. Tente pelo menos eliminar as respostas que pareçam mais fora antes de partir para o chutômetro. Se não teve jeito, chute. Mas chute pela prova (e não direto no cartão-resposta), para ver se você não está marcando a resposta realmente absurda, que até você (que não sabe a resposta certa) consegue dizer que está errada.

Se a prova for no modelo “certo ou errado”, onde cada questão errada vale uma certa pontuação NEGATIVA, faça tudo normal, como no parágrafo anterior, até o pit stop. Depois dele, volte e veja se lembra de alguma questão, mas não se force a responder! Se ficar na dúvida, DEIXE EM BRANCO! É preferível você não somar pontos a perdê-los! Se você marcar apenas 50% da prova e acertar esses 50%, estará melhor que alguém que marcou 90%, mas errou 30% dela… mesmo que cada questão errada valha “menos meio” enquanto a questão certa valha “mais um”.

(Novo!) Se a prova for de múltipla escolha, NUNCA, JAMAIS volte e troque a resposta que você, de cabeça mais fria e menos cansado, colocou numa questão já feita, especialmente se você não teve dúvida no momento em que você fez a referida questão. É bastante comum, especialmente para quem fica mais nervoso, na hora de passar para o cartão-resposta de o candidato reler a questão, duvidar do que marcou e e começar a enxergar pegadinhas e cascas de banana até no teto da sala onde está fazendo a prova. Portanto, confie no “você do passado” que marcou a questão de cabeça mais fria e menos cansado e simplesmente transcreva a alternativa para o cartão-resposta. A ÚNICA EXCEÇÃO a essa regra vai se dar devido à estranheza da mente humana. Às vezes, quando você lê uma coisa, lembra de outra (muitas vezes totalmente não-relacionada). Então, se durante uma questão você ler algo que te faça lembrar CLARAMENTE de uma exceção à regra ou de uma regra esquecida e que altera a resposta de uma questão anterior (especialmente daquelas que contêm “NUNCA”, “SEMPRE”, “TODOS” e similares), aí você pode voltar e alterar. Não vai deixar de ganhar um ponto só porque se lembrou da resposta depois de ter feito  a questão (se já passou pro cartão-resposta, não perca tempo se lamentando, vá fazendo as outras).

(Novo!) A prova do concurso público tem dois objetivos básicos: 1º: medir o conhecimento do candidato a respeito dos temas pedidos no edital. 2ª: eliminar o maior número de candidatos possível, para que só fiquem “os melhores” (com aspas, por favor). A despeito do que muita gente (inclusive professor de cursinho) diz, o primeiro e maior objetivo do concurso é saber o quanto você -em tese- sabe dos temas pedidos (sim, eu sei que em certas provas não parece, mas mesmo assim ainda é…). E daí? E daí, que em toda prova haverá algumas questões que, se você souber / conhecer / tiver estudado o tema, serão “fáceis”. Serão questões diretas para saber se você conhece o assunto, sem pegadinhas, armadilhas, cascas de banana… e que serão elaboradas para eliminar, primordialmente, quem foi fazer a prova sem se preparar adequadamente (ou sem se preparar de qualquer maneira). Há também uma segunda razão para elas serem postas na prova: eliminar os candidatos nervosos e que vão achar a questão “fácil demais”, pois ela trata de algo que eles sabem (porque se não souberem a questão vai ser difícil de qualquer maneira) e que está lá sem nenhuma pegadinha. Na hora do nervosismo, eles vão querem inventar algumas armadilha (que a questão não tem) e vão marcar outra resposta que não a certa (e que eles sabem!). Portanto, candidato com os nervos a flor da pele, se achar uma questão que pareça “fácil” e com “a resposta na cara demais” NÃO DEIXE DE MARCAR A RESPOSTA CERTA e NÃO INVENTE PEGADINHAS ONDE ELAS NÃO EXISTEM, há questões na prova que são simples, curtas e diretas e que estão lá para eliminar mais quem não estudou/sabe o assunto (1º objetivo do concurso) do que para fazer uma triagem mais profunda (2º objetivo). NÃO PERCA PONTOS “DE GRAÇA”.

Redação… a redação é a única coisa que eu realmente acredito que depende muito de quem faz a prova. Há pessoas que deixam numa boa para o final e não sentem o cansaço, já que redação não tem uma resposta certa e, de certo modo, exige um esforço mental diferente do restante da prova, algo um pouco mais “criativo” e menos de “lembrar da matéria”. Outras, fazem logo no início “pra se livrar logo” e aproveitar a cabeça mais fria. Talvez aqui a regra do Português possa ser útil: tente fazer o rascunho da redação no início da prova (se quiseres fazer a interpretação de texto antes da redação “pra aquecer”, pode ser que seja válido), mas não passe a limpo logo, já que você não sabe o quanto a prova vai te tomar de tempo. Faça a prova e depois passe a redação a limpo, já que essa transcrição é um processo muito mais mecânico que outra coisa. Se o tempo estiver a seu favor, você pode usar essa transcrição para prolongar o tempo do pit stop. Já que você apenas estará passando a limpo, e não se esforçando em “resolver” ou “criar” algo. Eu detesto escrever e possivelmente não usaria a transcrição da redação como “pit stop extra”, mas pode ser válido para outras pessoas.

“Ah, Rafael, isto tudo não é só um monte de bobagem?”

Olha, você pode até considerar isso tudo bobagem. Mas com exceção de algumas dicas do “A prova em si…”, eu conheço gente que teve problemas com todas as situações aqui mencionadas. Quem é rato de curso pra concurso também já deve ter visto / ouvido / vivido alguma das coisas aqui descritas.

As dicas sobre a prova em si são baseadas em experiências que eu tive e as que ouvi de colegas que ou são servidores (concursados) ou são concurseiros. Algumas foram passadas por professores de cursinho. Nada do que está ali é “regra”, apenas “toques” que podem lhe ser úteis, mas que podem ser solenemente ignorados caso você discorde, afinal cada pessoa pensa de um jeito diferente e tem habilidades/aptidões distintas.

Se você quiser acrescentar ou comentar algo, sinta-se à vontade para usar os comentários.

Rafael-san, O Enxugador de Gelo

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