É possível sustentar um videogame legalmente no Brasil? (tema incidental: importação de jogos)

consoles

POST ATUALIZADO! (em 20/06/2010 – vide final do post)

Alô, leitores Aglomerados!

Pirataria foi um tema que já pintou aqui no Aglomerado News algumas vezes, especialmente nas palavras de Felipe-san. Quem acompanha o Blog já deve ter lido algo. Os posts dele sobre o tema acabaram me (re-)acendendo uma ideia… que tal abordar a questão por outro lado? É possível sustentar um videogame da geração atual (XBox 360, Wii, PlayStation 3…) sem recorrer a desbloqueios, pirataria, jogos baixados via internet, etc. nessa terra?

Quando eu comecei a fuçar a coisa, percebi que a resposta era: “Sim”. Mas o mais surpreendente é que a solução para sustentar um VG novo aqui no Brasil está fora de nosso país… e tudo pode ser feito via internet. =)

Antes de continuar o raciocínio, uma nota: Quando eu digo que “sim, é possível.”, há restrições. Um trabalhador que ganhe salário mínimo e tenha que sustentar, sozinho, casa e família dificilmente terá condições de sustentar um VG atual. Pra esses talvez fosse melhor um PC “parcelado à vista… à perder de vista” e ir baixando alguns jogos freeware, bem leves (pro PC aguentar), da internet (56 Kb/s ainda existe)…

A única coisa que ainda vale a pena comprar aqui dentro do nosso país é o hardware, o console em si. Eu vou usar o PS3 como exemplo, mas se você quiser comprovar fazendo o teste com o seu VG preferido, os resultados não devem variar muito. Uma olhada rápida em três sites nacionais (e confiáveis) diferentes me deu um preço cartelizado de R$ 1.299,00 que poderia ser divido em até 12x sem juros no cartão ou levar um descontinho qualquer se pago à vista (pesquisa feita dia 15/06/2010, para o modelo PS3 “Slim” com 120 GB de HD). Com preço nessa faixa, o console é a coisa mais difícil de se conseguir, por outro lado, devido à possibilidade de se parcelar, ele acaba se tornando (razoavelmente) fácil. Importar um console pode até ser um tentativa válida, mas provavelmente a vantagem no ponto de vista econômico será mínima (ou nenhuma), fora o risco de o console dar defeito e você não ter pra onde correr. Mas porque a vantagem econômica é tão insignificante?

O preço original dos consoles lá fora é realmente bem mais atrativo que aqui, mas mesmo importando diretamente essa vantagem pode ir ralo a baixo por dois fatores, principalmente: frete e imposto. A maior parte dos fretes é calculada ou em relação ao peso do que será transportado ou através de uma relação entre peso e volume. O PS3 (e os demais consoles também), mesmo a versão Slim, não pesa 100 ou 200 gramas e nem tem a dimensão de um disco de Blu-Ray, então para importar você vai morrer numa grana bonita (em medida em Dólar…). Fora que pacotes “grandes” são a primeira coisa que a alfândega pega pra inspecionar. Como “Videogames” não caem numa categoria especial de isenção ou diminuição de impostos, você ainda vai pagar 60% do valor do produto E DO FRETE de imposto de importação, mais ICMS, mais IPI… e isso se não houver outros “I” que agora eu não me lembro. Só nessa brincadeira você já pagou seu Videogame de novo… uma vez ou duas. Fora que sempre há a chance de stress com problemas no transporte, avaria de mercadoria, etc. Por isso, eu acho que vale a pena comprar o hardware aqui dentro.

OK, mas você não irá ligar o console e ele irá mostrar magicamente o jogo que você quer assim do nada, certo? A longo prazo, o maior custo do console são os jogos (exceto você se desfaça dele em pouco tempo). Então, como arranjar jogos originais sem destruir o orçamento?

Que tal um exemplo? Cacei em sites nacionais o preço para “Final Fantasy XIII”, uma franquia de RPG mais que conhecida no mundo gamer. O preço girou entre R$ 239,00 e RS 259,00. Dois desses dá pra comprar um PS2 e sobra troco… e então? Bom, agora vem a maior barreira para a solução. A solução é simplesmente importar os jogos. Ao contrário dos consoles, os games são pequenos e leves, o que faz com que o preço valha a pena, além do mais, as chances de eles serem liberados na alfândega são de “razoáveis” a “muito boas”, dependendo do tipo de frete escolhido. É uma roleta onde você tem chances reais de ganhar. O único porém é que a esmagadora maioria dos sites exige que você tenha um cartão de crédito internacional ou uma conta no PayPal (o que para nós, brasileiros, dá no mesmo, já que o PyPal pede um cartão de crédito -para nós internacional- para onde ele “manda a conta”). Supondo que você tenha ou tenha como conseguir um cartão internacional (obtendo um para você, usando o do seu pai/irmão/primo/vizinho/amigo/achegado…), as coisas simplificam MUITO. Voltemos à matemágica…

Usando como exemplo um site onde eu já fiz umas compras (de figures e de jogos), o Play-Asia (que não é o site mais barato que eu conheço…), o mesmo FF XIII custa US$ 64,90 e o frete mais barato disponibilizado pelo Play-Asia US$ 7,40, totalizando US$ 72,30. Fazendo uma aproximação de US$ 1,00 = R$ 2,00, teríamos que nossa compra sairia por R$ 144,60. Isso significa R$ 94,90 de economia. O Play-Asia não oferece os melhores preços nem oferece o frete mais econômico (nem mesmo o mais “invisível” à nossa alfândega), o que significa que nossa economia poderia ir ralo abaixo caso o pacote fosse taxado. Eu já comprei dois jogos originais lá e ambos passaram incólumes, o que significa que a chance de você receber sua encomenda sem “surpresas” existe.

Mas e aí, ficamos sempre nessa roleta? A resposta técnica é “sim, mas existem algumas coisas que facilitam a roleta a ser mais favorável a você (algumas delas eu diria até que praticamente garantem que a roleta. seja favorável a você). Uma dela é o tamanho do pacote e o valor dele. Então você gastar todo o seu 13º salário em jogos para seu videogame novo e fazer um verdadeiro “pacotão” com muitos DVDs/BD’s é um péssimo negócio… um trambolho sempre chama a atenção do fiscal… além disso, se você der sorte do fiscal ser camarada e achar que não vale taxar uma encomenda de pequeno valor, ótimo; mas se sua encomenda não for de tão pequeno valor assim…

Outra coisa: Pesquise! Uma segunda busca num outro site (nesse eu ainda não comprei, mas ouço falar bem), a eStarland, me trouxe resultados um pouco diferentes. FFXIII – US$ 57,50. Frete – US$ 10,00. Total = U$ 67,50 (menos de R$ 135,00). “Rafael-san, a diferença é pequena!” Sim, eu sei, mas veja: Uma pequena diferença rende imposto menor em caso de “falha”… você economiza duas vezes. Mais uma coisa: continua sendo uma diferença bem grande em relação ao preço nacional… e como a diferença foi “a favor da eStarland”, significa que ela é uma opção melhor ainda que o Play-Asia (antes que alguém grite: eu já comparei preço de vários outros jogos, a diferença é sempre pró-eStarland quando comparada com o Play-Asia) e outra, a pesquisa à eStarland me trouxe mais uma informação interessante: eles têm um pequeno serviço chamado “Per-Pack Service”. O que isso faz? Simples: O pacote sai no nome do responsável pela loja ao invés de no nome loja e a papelada que vem anexada à encomenda é preenchida à mão.

“Rafael-san, e o que é que o ‘_u’ tem haver com as ‘_alças’?” Explico-me: No Brasil existe uma regra (é um artigo de uma lei que trata de importação) que diz que encomendas MENORES QUE US$ 50,00 e ENTRE PESSOAS FÍSICAS não pagam imposto. Então, com esse serviço deles, a encomenda sai de uma pessoa física e com tudo escrito à mão. Se você não destruiu o limite do seu cartão de crédito nas suas compras, o valor declarado também deve ser baixo o suficiente… não vá com sede demais ao pote e você deve conseguir, mesmo que um-a-um trazer seus jogos ORIGINAIS sem destruir o orçamento e sem perder a garantia do console (já que você não precisará desbloqueá-lo). Se você quiser ler um pouco mais sobre a eStarland e esse serviço, visite a seção em português (macarrônico e 200% desprovido de acentos) da eStarland: http://www.estarland.com/Brazil.html. Para ler sobre o “Per-Pack”, clique no link “Pagamento / Entrega” existente na página do link anterior.

Há ainda mais uma opção (na verdade existem outras, mas é humanamente impossível listar todas aqui no post), cujos resultados são imprevisíveis em termos de preços (depende da sorte), mas que dependendo da direção do vento pode ser melhor que os sites citados. Se você é acostumado com (e conhece as regras para não ser tapeado em) sites de leilão (como o Mercado Livre) e se se vira minimamente bem no Inglês, você pode sempre tentar o Ebay. Se você é completamente por fora de sites de leilão mas gostaria de dar uma olhada, esse post no fórum Outer Space tem umas dicas super básicas, mas ótimas pra você adentrar nesse mar. O post citado tem umas dicas extras interessantes que valem a leitura, mas exceto pelo Play-Asia, não conheço os sites citado pelo autor do post. Voltando ao Ebay… o que tem de bom nele? Dezenas de vendedores querendo vender o mesmo produto dentro do mesmo site! Isso gera possibilidades boas de se achar bons preços. Uma pesquisa lá, por alto, me fez achar o mesmo FF XIII por US$ 34,00… Nada mau, certo? Além do preço há outras vantagens: vendedores são pessoas físicas (e você pode se certificar disso, perguntando ao mesmo se vem no nome do vendedor e não de uma possível Loja Virtual que o sujeito tenha), logo aquele limite de US$ 50,00 se aplica (peça para vir marcado como “gift”, melhor ainda). E outra, os vendedores são pessoas físicas e querem vender… então, por sua conta e risco, você pode pedir pra eles declararem um valor abaixo do real (caso você estoure o limite) e corre o risco de eles aceitarem para não perder o cliente (MUITO BEM: Essa prática não é nada correta e eu não recomendo, faça por sua conta e risco! Além disso, os fiscais podem desconfiar de sua encomenda e abrir para averiguar -sim, eles podem fazer isso legalmente- e aí se prepare para uma taxação no “chutômetro” e normalmente contra você). Além disso você pode pedir pra eles enviarem no menor pacote disponível (que, obviamente, caiba sua encomenda) para aumentar a chance de não ser taxado (fiscais loucos existem., eles podem resolver taxar mesmo as encomendas mais insuspeitas que esteja por lá…). Mas lembre-se: os vendedores são pessoas físicas… e picaretas estão por aí, em toda parte do Globo (não, não aquele jornal), então cuidado…

E então, qual base eu, Rafael-san, usei para concluir a partir desses exemplos que é possível comprar um VG atual? Bom, os números já dizem muito, mas uma experiência pessoal minha me faz ter certeza que é possível. Lá pelos idos de 2001, quando eu ainda estudava, não tinha nenhum fonte fixa de dinheiro, mas às vezes ganhava um trocado da minha avó (nunca mais de R$ 20,00) e, em algumas situações, ganhava um trocadinho de outras fontes (mas nunca muito dinheiro)… pois bem, nesse pinga-pinga eu juntei, de Dez/2000 a Set/2001 os R$ 400,00 necessários para comprar meu PSOne. Então, se um pé-rapado sem fonte fixa de dinheiro conseguiu juntar R$ 400,00 (e apesar de eu não ter despesas fixas, eu vez ou outra precisava de dinheiro para outras coisas… minhas roupas, por exemplo, era eu quem comprava), com certeza alguém com um salário fixo (que não seja a conta exata para as despesas da casa) e um pouco de controle e disciplina consegue juntar dinheiro para comprar um console e, mantendo o controle, comprar os jogos (que custam, cada, bem menos que o console).

Se você tem condição de juntar um troco por mês, pode começar fazendo o contrário, comece importando um jogo primeiro e depois tire o VG no cartão (claro, se isso couber no seu orçamento). Você pode até juntar uma grana e comprar/importar uns dois ou três jogos primeiro (preferencialmente algum mais demorado de se zerar) para ter com o que brincar enquanto paga as prestações do console…

Infelizmente, para nós brasileiros, todo o sistema joga contra, mas mesmo assim é possível se manter dentro da legalidade. E mais: cabe a nós, gamers, trabalharmos para reverter essa situação. Se com todos os contras (e acreditem, as empresas de jogos sabem dos contras…) nós conseguirmos criar “algum mercado” para jogos (e, sim, o Brasil tem uma “demanda reprimida” nesse setor, só não maior por causa da pirataria) certamente as empresas desenvolverão interesse no Brasil (quando as cifras começam a crescer, o olho dessas empresas cresce junto). E ninguém tem mais poder de fogo que as gigantes do setor, com seu milhões de dólares, para pressionar o governo brasileiro a se mexer (parcialmente a nosso favor). Alguns passos já foram dados, acho que o mais positivo e recente foi o anúncio de que a Live (da Microsoft) vai finalmente aterrissar por aqui. A coisa pode estar andando devagar, mas está andando para frente e eu gosto de ter a sensação de ter feito a minha parte. Espero que esse post sirva de alguma luz para os leitores que compartilhem desse sentimento, mas não tinham conhecimento das opções aqui apresentadas.

Bons Jogos!

Atualização (20/06/2010) :

Alô, Renato. O Marco, o Felipe e o BRS já comentaram alguma coisa em resposta (também) ao seu comentário. Mas vamos lá:

Antes de tudo, vou tomar a liberdade de citar seu comentário aqui no corpo do post, para chamar atenção de quem vier ler e vou aproveitar as ideias que seu comentário me deu para expandir um pouco o post.

Renato disse:

Tá…agora uma posição totalmente contrária a sua:

Mude o titulo do post para:
“EU POSSO PORQUE EU TENHO DINHEIRO sustentar um videogame legalmente no Brasil”

Eu lembro quando eu jogava SNES, PS1 ou PS2…tive uns 50 jogos pra cada videogame (e vcs tambem)…certo…continuemos com 50 jogos (porque ninguém compra um videogame novo só pra jogar meia duzia de jogos…)….a uma media de 140 reais cada = 7k

Preciso dizer mais alguma coisa?
Ou é totalmente normal pra vcs gastar 7k em uma pilha de discos?

É muito facil ir contra a pirataria quando você pode…quero ver você ir contra ela no momento em que você não puder…

Álias, isso me lembrou uma coisa:
Vendo rapidamente no ebay eu notei que os jogos de PS1 custam 15 dolares cada atualmente…triplique (no minimo) esse preço pra achar quanto custava na época…TRIPLIQUE NOVAMENTE pra considerar o frete e passar para reais (cotaçao do dolar em setembro/2001 =2,694 real/dolar)

Resultado: Um jogo original de PS1 custava aproximadamente 135 reais em 2001…mas tudo bem…teve inflação e o escambal…tira 15 reais de lambuja…120 reais/CD

Mas espere! Você demorou exatamente 10 meses para juntar 400 reais = 40 reais por mes…

Então, como você NÃO É HIPÓCRITA, você comprou seu PS1 em Setembro mas só comprou um jogo novo depois de uns 3 meses?

Não, acho que não.

Agora os meus comentários:

Primeiramente: em duas oportunidades no post eu disse que quem realmente ganha pouco ou tem que levar o orçamento na ponta do lápis pra “não sobrar mês no fim do salário”, não tem como sustentar um VG atual (se bobear, nem um antigo). Eu brinquei com a história do computador, mas a parada é séria, o Felipe-san é um exemplo: ele prefere jogar no PC porque conseguir jogos é mais fácil e porque o PC tem outras utilidades, é um dinheiro gasto (pra comprar o PC) que acaba sendo melhor aproveitado (porque você usa o PC não só pra jogar).

Eu não joguei 50 jogos no meu PSX, 90% do meu tempo foi dedicado a FF VII, FF VIII, FF Tactics, Pocket Fighters e Metal Gear Solid. Mas mesmo assim, 7k reais gastos ao longo de 5 anos daria uma média de R$ 116,00 por mês gasto com o VG. Nem todos conseguem pagar tanto (mas há bastante gente que tem condições e prefere “meios alternativos”…), mas se o jogador não for tão fominha, pode muito bem se virar (até parece que é algum sacrifício…) com 25 ~ 30 jogos (bastante coisa ainda, não?) e gastar cerca de R$ 50,00 por mês em games (com certeza um gasto assim, já abarca um número bem maior de pessoas “financeiramente capazes”). Se a pessoa for mais cautelosa e evitar as continuações medíocres de alguns jogos ou só pegar aqueles que são bons dentro de uma série, dá pra se divertir bastante, com menos jogos e menos dinheiro gasto. Hoje em dia, dá pra você ver vários reviews e avaliações na internet para dar um tiro mais certeiro antes de empregar seu dinheiro num jogo novo. Isso sem contar com pegar emprestado, jogar na casa de um(a) amigo(a) pra ver como é, ou ver se tem versão pra PC e catar demos jogáveis (que são gratuitos) para ter mais certeza ainda se aquele jogo você vai querer. Algumas vezes, errar acontece, mas comprar mal alguma coisa é algo que acontece com todos… e com vários tipos de de “coisas”.

Não me pergunte sobre ser normal ou não, um gamer inveterado (e que não queira piratear), desde que tenha o $$, gasta sim. Tem gente que gasta isso em “chopinhos de sexta-feira”, veja o quanto custa 1 chope e de quantos chopes cada um de uma mesa de bar gasta e faça as contas para uns 4 ou 5 anos… Além do mais eu coleciono figures e, em 1 ano de coleção, já gastei mais que isso… Mas, realmente, eu coleciono porque eu posso… até meados de 2008 eu não tinha emprego e, consequentemente, não tinha grana, portanto não comprava figures, embora já gostasse (e mesmo depois de arrumar trabalho, comprar figures não foi a 1ª coisa que eu providenciei). Quem realmente não pode, não compra; sejam figures, um VG, jogos, uma TV nova (ao menos enquanto a antiga funcionar) ou o que seja… chegando o exemplo para algo bem extremo: existe gente que passa fome e nem por isso apela para a ilegalidade. Mas se eu me enveredar por aqui o assunto muda pra outras coisas…

“É muito fácil ir contra a pirataria quando se pode”. Concordo, mas nunca fui fã dela, mesmo quando não podia e meu passado me ensinou a ir com menos sede ao pote. Tem muito jogo de PSX que tive em mãos e nem toquei. Qual o sentido que teve ter tido esses jogos? Apenas possuí-los? Já comecei a pesquisar jogos de PS3 e minha “wishlist”, até o momento, tem 8 jogos, um deles marcado como “dúvida” (Tá que eu ainda não olhei TODOS os lançamentos de PS3… mas já vi um bocado). Eu não troco de jogo como quem muda de roupa, quando pego um jogo, vou até o fim e fazendo todo o possível e imaginável que o tal jogo me permita. Estou jogando Ar Tonelico 2 desde o Carnaval (já estamos pós meio de junho…) e já vi três dos quatro finais dele. Quando acabar o quarto e último final, vou escolher o próximo jogo entre Persona 3, Persona 4, Mana Khemia 1 ou 2 e Sakura Wars. E de vez quando ainda jogo Melty Blood Actress Again contra algum colega. Tenho todos esses originais (além de Atelier Iris 3 e Wild Arms 5), fui comprando devagar, um de cada vez, usando esquemas similares ao que eu citei mais acima e às vezes até compra em loja física, aqui mesmo no Brasil, quando ainda não sabia importar. Posso ganhar razoavelmente bem, mas estou longe de “ser rico”. Não ganho R$ 5.000,00 por mês nem nada… mas respondendo à sua pergunta: “É normal gastar 7k numa pilha de discos?” Nos discos, não, mas no conteúdo deles e na diversão que o tal conteúdo me proporciona, com certeza. Como não dá pra comprar apenas o conteúdo, que venham os discos junto (fora os “extras” das edições especiais)!

Quanto à sua matemágica, ela me parece bem correta, mas há um fator que eu não disse acima (porque não tinha nada haver com o pensamento que eu desenvolvia naquele parágrafo) e que interferiu no resultado para mim: eu já tinha jogos de PSX quando eu comprei o meu (minha ideia atual de começar pelos jogos foi parcialmente inspirada daí…). Naquela época eu já jogava PSX, mas na casa do meu tio. Quase todo fim-de-semana eu estava lá, quando não conversando com os amigos que tinha na vila, estava com o controle em punho jogando os jogos que eu gostava, mas meu tio não (jogos esses que eram por minha conta, com a ciência dele pra jogar no VG dele). O console (mais caro que jogos) me faltava para poder jogar em casa, até que eu resolvi juntar dinheiro a sério para comprá-lo.

Então, respondendo à sua pergunta: Eu não precisei esperar 3 meses para jogar meu PSX em 2001 (não sou masoquista!)… afinal, jogo eu já tinha… (nossa, como eu joguei FF Tactics enquanto estava em casa doente naquela época…)

Como bem disse o Marco, minha ideia desse post não foi esfregar na cara de ninguém que “alguns podem” e “outros não” e, muito menos, que “eu posso”. Foi levantar um debate sobre a questão (afinal, pirataria é crime…), dar uma luz à galera que quer fazer a coisa direito, mas podia não conhecer as opções que eu mostrei aqui, mesmo que tivesse po$$ibilidade e, também, dar aquela espetadela no povo acomodado que “pode”, mas que prefere reclamar do governo/impostos/empresas que não investem aqui (ou então se achar mais esperto que os outros comprando no camelô ou baixando da Internet) a se mexer. Eu sei que existem pessoas que às vezes conseguem um console (mais barato que 1 PC) no sacrifício, parcelas, etc e que recorrem “às vias alternativas” porque senão vão passar o resto da vida jogando o jogo que veio junto com o VG ou, na pior das hipóteses, jogando os demos do disco que muitas vezes acompanha o console. Meu post não foi feito para criticar essas pessoas, já tive minha época assim, mas nunca gostei disso e agora eu procuro me manter dentro do que é certo.

Por isso, eu declinarei da sua sugestão sobre o título do post, mas te parabenizo por expor suas ideias assim, um bom debate precisa de gente com ideias divergentes para poder existir e, até então, faltava uma opinião contrária (especialmente uma expressa seriamente) para poder existir um debate (sadio) aqui no post.

Rafael-san, O Enxugador de Gelo

 

Comments

  1. By Echidna

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  5. By Renato

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  8. By BRS

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  10. By Renato

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