Games: Bons ou maus?

Pela trecentésima vez essa semana leio algo relacionado a se games fazem bem ou mau às crianças e jovens. Sou eu que penso torto ou são os outros que se negam a pensar na questão por outra óptica?

Há vários estudos que indicam que uma porcentagem razoável de jovens que jogam games violentos são violentos. Muitos desses estudos, da forma como são apresentados, deixam no ar uma sensação de que são os games que acabam gerando um comportamento violento nos jovens ou que podem ser eles que “potencializam” a aparição dos traços violentos. Será que nenhum deles (alguns pesquisadores tendenciosos, os paranoicos, etc.) parou para pensar que eles podem estar tomando o efeito pela causa? Será que não é quem traz propensão à violência ou traços violentos (ainda que reprimidos, escondidos ou algo assim) que procura jogos violentos? Não só jogos, como muitas vezes também filmes, seriados…

Não digo aqui que todos que gostam de jogos violentos (ou de filmes, seriados, quadrinhos, animações, etc. violentos) sejam pessoas com propensão deliberada ou oculta à violência. Eu mesmo já joguei alguns jogos com certa dose de “violência realística” e já vi um certo número de filmes de ação e nem por isso tive vontade de sair por aí metendo bala nos outros ou enchendo o 1º idiota que aparecesse na minha frente de bordoada. Se existem pessoas que jogam coisas violentas e depois querem imitar na vida real e pegam uma arma e descarrega nos colegas de escola, essas pessoas têm um problema de saúde. Coisa pra ser tratada com psicólogos/psiquiatras/remédios… e não é culpa dos jogos se essas pessoas não são descobertas antes de chegarem às vias de fato.

Claro que, principalmente em crianças mais novas, os jogos podem provocar “tendências”, mas para isso existe a classificação dos jogos e também os pais, que devem regular o que os filhos jogam e monitorar o comportamento dos filhos. Se a criança já demostra sinais de agressividade excessiva, não é lá muito sábio pôr lenha na fogueira e estimular… e se a coisa parece ser séria ou se a criança apresenta sinais de vício (no sentido literal da coisa) nos jogos, aconselhamento profissional deve ser procurado…

Mas se games violentos causassem comportamento violento, o que causariam os jogos de fantasia, por analogia? Imaginem uma meia dúzia de malucos (eu incluso) brandindo uma espada (real ou fictícia) pelas ruas e soltando (ou tentando soltar ou se imaginando capazes de soltar) bolas de fogo, relâmpagos e farpas de gelo porque acabaram de virar um *Nome de um RPG eletrônico*… surreal, certo?

Agora ao menos uma pesquisa parece ter achado um lado positivos nos jogos “por encorajar a criatividade e cooperação” (fora que alguns jogos -principalmente os de música- desenvolvem a coordenação motora), mas lá vem a famigerada nota: “o estudo do Comitê do Parlamento Europeu encontrou fatores benéficos -e nenhuma ligação definitiva com comportamentos violentos”. Por que diabos os jogos “têm” que ter uma ligação com comportamento violento?

Se fosse assim, as pessoas teriam que apresentar um atestado de sanidade mental antes de entrar no cinema pra ver certos filmes… afinal quem garante que eles não vão sair metralhando as pessoas nas ruas por influência de um filme violento?

Games são fontes de lazer, assim como cinema, teatro, passeios, TV, música… e, como qualquer coisa na vida, têm que ser dosados. Se você vive pra jogar, você tem problemas… mas se você joga como distração (ou às vezes até por falta de opção… “como não tem outra coisa melhor pra fazer, vamos jogar”), não vejo problemas nos games. Eles, em si, não são bons nem maus, eles possuem, como quase tudo na vida, pontos positivos e negativos, cabendo aos pais (em se tratando de crianças) e a nós mesmos (os já “crescidinhos”), sabermos dosar as coisas para aproveitarmos as coisa boas, sem sofrermos os possíveis efeitos negativos…

Foi mau, galera, pelo post meio que “tudo haver com nada”, mas eu não aguento mais ler esse tipo de notícia semana-após-semana…

Rafael-san, O Enxugador de Gelo

Comments

  1. By Vitor

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