Quando um “nada” quase vira “algo”

Sábado passado, 14/03/2009, eu estava na Lan House/Cyber Café do Norteshopping, já passava um pouco das 22h e a maioria das lojas, portanto, estava fechada (com exceção das de sempre como cinema, teatro, praça de alimentação…). A Lan também, mas como sou amigo/conhecido do povo todo de lá, estava a bater papo do lado de dentro da loja. De repente, não mais que de repente, o povo que estava sentado nas cadeiras do lado de fora (a Lan é perto da praça de alimentação) começa a se levantar e correr com cara de assustados, cadeiras sendo derrubadas, uma cena típica de um “arrastão”.

Ficamos um pouco zonzos sem saber se abríamos a porta pra poder sair (caso fosse algo como um incêndio) ou se mantínhamos a porta fechada (afinal, um arrastão não seria supresa aqui no Rio de Janeiro e passava apenas um pouco do horário do shopping fechar, portanto ele ainda estava bem cheio).

Após presenciarmos alguns instantes de uma verdadeira cena de pânico se passando do lado de fora, o povo parece que parou pra ver porque estava correndo e o corre-corre diminuiu. Abrimos a porta e perguntamos para o pessoal, ainda meio sem chão, o que ocorreu. Muitos não sabiam o que havia ocorrido, alguém falou em ter ouvido uma “explosão” na praça de alimentação (mas se houvesse mesmo uma explosão, acho que nós, tão próximos estávamos, ouviríamos. Falaram em “barulho de gás escapando”, falaram em incêndio. Mas nem cheiro de gás, sinal de fumaça, muito menos fogo. Um de nós foi ver o que houve e voltou com a notícia de que teria sido “briga”.

Fechamos a porta de novo e, segundos depois, três donas e uma menininha bateram à porta e pediram pra entrar. A menininha estava bastante nervosa e chorosa e as donas tentavam falar, via celular, com os rapazes que estavam com elas. Elas nos explicaram, juntamente com os rapazes que elas conseguiram contactar, que, ao que parece, uma mangueira de pressão de uma máquina de chope, se soltou/se rompeu e provocou um barulho alto de estampido. Ainda segundo elas, uma moça, com o barulho, teria se assustado e passado mal e o rapaz que estava com ela teria se enfezado, discutido, e tentado (ou quiçá conseguido) agredir um dos funcionários da loja e, devido a “explosão”, “barulho do gás escapando da máquina” e “briga”, o povo teria se afastado rapidamente, começando um efeito reação em cadeia que terminou por ser o corre-corre que presenciamos.

Ou seja: quem viu o que causou o barulho, se afastou porque viu o cara agredindo o funcionário da loja, na iminência de um briga (afinal, nunca se sabe quando um maluco vai puxar uma arma). Quem estava mais distante, viu o povo recuando rápido logo após um estampido alto com barulho de gás escapando e correu porque ficou com medo de ser uma “explosão” e de haver risco de incêndio ou novas “explosões” e que estava mais afastado ainda, correu porque viu uma multidão correndo assustada.

Resumindo a história: um “nada” (uma simples mangueira de pressão de uma máquina de chope que se soltou ou se rompeu), provocou uma verdadeira cena de uma multidão em pânico, ainda que a cena tenha sido relativamente breve. Me pergunto se a reação toda tenha sido meramente o “insitinto de preservação/sobreviência” falando “Opa, na chance de haver perigo, corre primeiro e veja o que foi depois” ou se essa cena, como me pareceu num primeiro instante, foi um verdadeiro retrato de um povo acoado e assustado, como é o carioca, com toda essa violência que anda por aqui. Nos dias de hoje, o povo é capaz de confundir um pum com um tiro de canhão…

Felizmente, parece que ninguém se machucou (exceto talvez algumas cadeiras, derrubadas e chutadas na correria), mas, numa correira, pessoas poderiam ter se machucado seriamente, especialmente porque havia muitas crianças junto. Alguns minutos depois uma patrulha da PM apareceu, possivelmente para fazer um BO, e nenhuma notícia de algo mais grave se espalhou. Deveras, no dia seguinte não havia rastro do ocorrido na noite anterior e o povo fazia seu passeio e/ou compras normalmente.

E então: Uma reação normal ou um sério exagero de um povo assutado onde alguém poderia ter se machucado?

Rafael-san, O Enxugador de Gelo

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  3. By Vitor

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