AglomeraNdo na Rio ComiCon: O mundo é das mulheres


O Aglomerado News esteve presente na 2ª edição da Rio ComiCon e ficou bastante feliz em dizer que a feira está aumentando, ganhando mais espaço, mais prestígio e mais notoriedade. Um bom número de palestras com profissionais e artistas de grande relevância, boas exposições e alto público transformou a feira em um sucesso real.

  

Algo interessante que pude reparar nesses 4 dias de evento, foi o espaço mais que merecido às ilustradoras e artistas mulheres, ganhando um parcela significativa de espaço nas palestras, exposições e workshops…e é exatamente sobre isso que falaremos no post! Isso serve para mostrar que o velho estigma de que quadrinhos é coisa para meninos não se aplica no mundo em que vivemos.


Podemos começar falando da garota-capa da Rio ComiCon 2011: Valentina. Musa, figura feminina forte e bastante representativa no mundo dos quadrinhos (veja matéria publicada aqui, dias atrás), a personagem de Guido Crepax foi escolhida como a “mascote” do evento, ilustrando os posters, cartazes e as peças de divulgação dessa edição.


Outra feliz surpresa da organização tem quatro mulheres e cinco letras de muito peso: CLAMP! Um dos estúdios mais representativos do universo dos quadrinhos orientais (veja matéria publicada aqui, dias atrás) ganhou uma bela exposição, mostrando como essas damas transformaram a história do quadrinho japonês. Interessante como a riqueza dos detalhes em seus trabalhos atraem até mesmo quem nunca leu uma só pagina de seus mangás.

             

Outra convidada importante foi a alemã (austríaca, na verdade) Ulli Lust. Nessa hora, você merd de nerda, desinformado do cacete, está se perguntando “who?” Então saiba que a Ulli é uma das mais importantes quadrinistas do mercado europeu, responsável por histórias que retratam o cotidiano do ser humano (normalmente em Berlin), mas com tanta profundidade que chega a parecer documental. Alguns bons exemplos são os quadrinhos “Espionagem cotidiana” e “Palestina“. É uma ilustradora excepcional, com um traço único. Ulli Lust aproveitou para debater sobre o futuro das HQs, com o crescimento de novas mídias digitais: como desenvolver um bom produto gráfico para internet? Elá é dona da EletroComics, uma editora de quadrinhos online, com foco em artistas desconhecidos. Ahhh…além de tudo isso, ela é maravilhosamente simpática e receptiva, com o público. =)

…E finalizando, duas desenhistas de grande peso no mundo do mangá bateram um papo sobre seus trabalhos, referências e anseios: estou falando de brasileira Erica Awano e da japonesa Junko Mizuno. Quem é fã de mangá conhece a trajetória de Awano há bastante tempo. Na época que o mangá era uma novidade que invadia o mercado brasileiro, Erica, juntamente com o desenhista e roteirista Marcelo Cassaro, lançavam material original e 100% nacional. Holy Avenger, o mangá mais bem sucedido do mercado nacional, teve 40 edições (mais uns 3 ou 4 edições especiais), ganhou prêmios e teve até lançamento internacional. O tempo passou, Erica invadiu o mercado norte-americano aos poucos, mas agora tem seu talento reconhecido pelo concorrido e rigoroso mercado norte-americano. É responável pelas ilustrações da HQ The Complete Alice In The Wonderland em parceria com a roteirista Leah Moore (filha de Alan Moore), pela editora Glass House e do mangá DBride, mais uma parceria com Cassaro, pela editora Jambô.

Junko Mizuno ainda é desconhecida para o grande público, e mesmo se tratando de uma ilustradora japonesa com desenhos orientalizados, ela é AINDA MAIS desconhecida entre os fãs de mangá. Mas por que, Bial? A arte de Junko não pode ser denominada oficialmente como mangá, pois não é sua estrutura de traço e narrativa. Até mesmo no Japão seus trabalhos são um tanto quanto undergroud, mas por seu estilo que mistura erotismo, agressividade, surrealismos, mas com uma roupagem “fofa” (que pode ser observado em seu quadrinho Cinderalla), Junko tornou-se uma referência da arte POP, sendo cultuada por fãs de tatuagens, toy arts, moda, dcoração e até mesmo joias, aqui no ocidente! Apesar de estar na mesa Magaká, juntamente com Erika Awano, Junko transcende rótulos de qualquer denominação de quadrinhos, apresentando um estilo que pode ser definido simplesmente como Junko Mizuno.

   

Ano que vem tem mais Rio ComiCon!!!!

PS Final: Se você deseja curtir o que rolou nos outros cantos da feira: outras palestras, exposições e convidados, dê uma olhada no site dos Brucutus. Vale muito a pena! 😉

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