Análise: Valkyria Chronicles (Jogo para PlayStation 3)


Introdução / Apresentação do Jogo:

Valkyria Chronicles (Senjou no Valkyria, em Japonês) é uma jogo exclusivo para PlayStation 3 que mistura elementos de RPG Estratégico, Estratégia em Tempo Real e Tiro em 3ª Pessoa. Foi lançado em Abril de 2008 no Japão, tendo tido também versões Americana (lançada em Outubro de 2008) e Europeia (lançada em Novembro de 2008).

Capa da versão Europeia do jogo

O jogo se passa numa Europa fictícia (em Inglês, o nome do continente foi mudado de “Europe” -Europa em Inglês- para “Europa” para marcar que não se trata da Europa real) inspirada (até certo ponto) no período entre as duas Guerras Mundiais havidas em nosso mundo. Coincidentemente (ou não), o jogo mostra eventos havidos na “Segunda Guerra da Europa” no mundo fictício que lhe serve de palco. Nesta Europa alternativa existe um minério altamente valioso chamado Ragnita (Ragnite, em Inglês) que possui diversas aplicações: desde médicas até coisas como fabricação de combustível e aplicações bélicas.

A importância e relativa escassez desse mineral levam a Aliança Imperial Autocrática da Europa do Leste (vulgarmente chamada apenas de “Império”), aproveitando sua superioridade militar, a declarar guerra contra a Federação Atlântica, no lado Oeste do continente. No meio desse fogo cruzado está um pequeno país chamado Gália, que mantém sua neutralidade em relação a essas duas superpotências. A Gália, a despeito de sua pequena extensão territorial, possui reservas consideráveis de Ragnita e tal fato acaba por atiçar a cobiça do Império que, durante a 1ª Guerra da Europa, já havia tentado -sem sucesso, graças em boa parte à brilhante atuação do General Belgen Gunther- invadir a Gália e agora tenta novamente invadir o pequeno país.

Ainda na região fronteiriça entre a Gália e o Império, a pequena cidade de Bruhl prepara-se para a iminente invasão, evacuando seus cidadãos para capital do país quando é surpreendida com a invasão acontecendo antes do que eles haviam imaginado. Isso força Welkin Gunther, filho do falecido General Belgen Gunther, e natural da cidade a lutar por sua vida juntamente com a capitã da guarda da cidade, Alicia Melchiott, e tendo ainda o apoio de sua irmã Isara Gunther e a ajuda do tanque de guerra “Edelweiss”, usado pelo seu pai na guerra anterior e que Isara matinha e dava manutenção (sim, ela tem curso de mecânica e pilotagem de tanques).

Welkin e Alicia vão lutar pelo seu país e para poderem retornar à sua cidade natal

Já na capital do país, Welking, Alicia e Isara acabam sendo incorporados à Milícia, que dá suporte ao exército principal do país. Welking torna-se comandante de tanque (no caso, o Edelweiss) e é designado como comandante do recém formado 7º esquadrão. Alicia, por sua experiência de na guarda da cidade de Bruhl acaba sendo designada como uma espécie de vice-comandante do 7º Esquadrão e Isara torna-se a piloto “oficial” do Edelweiss. Inicialmente, os demais membros, em especial os líderes (Rosie e Largo) duvidam da capacidade de Welkin em comandar um esquadrão (afinal, ele poderia estar ali apenas por ser “filho do falecido general herói de guerra”), mas ele acaba convencendo a todos com suas táticas geniais.

No início, o clima às vezes esquenta…

Welkin e o 7º esquadrão vão conseguindo sucessivas vitórias enquanto, aos poucos, o que parecia ser uma mera invasão em busca de Ragnita vai mostrando que é algo maior e que o comandante da invasão, Príncipe Maximilian, pode ter planos um pouco diferentes… bom, contar a história demais pode ser considerado spoiler, então sigamos a análise vendo outros aspectos…

Gráficos:

Uma das primeiras coisas que chama a atenção no jogo é o estilo dos gráficos do jogo. Usando o motor gráfico CANVAS, os gráficos passam a impressão de serem uma pintura aquarela em movimento, um modo extremamente interessante de poder mostrar que gráficos 3D bonitos não são sinônimo de foto-realismo. O efeito é algo realmente impressionante e faz com que o jogo tenha uma “constância” nos gráficos: sejam em “custcenes” ou durante o “gameplay”, os gráficos sempre têm a mesma aparência (bonita, diga-se de passagem).

O character design do jogo também é interessante com alguns personagens tendo inspiração mais forte no visual de 1ª Guerra Mundial (como no caso do exército e milícia da Gália) e outros com uma inspiração mais forte na 2ª Guerra Mundial (como é o caso de alguns uniformes do lado do Império, que parecem muito com uniformes do exército Alemão da 2ª Grande Guerra).

Os personagens principais do 7º esquadrão – sentados: à extrema direita, Isara; mais em baixo, Rosie e à esquerda dela, Largo. De pé: Alicia e Welkin

A movimentação e fluidez dos gráficos é boa e mesmo nas partes onde os lados de “estratégia em tempo real” e de “tiro em 3ª pessoa” estão mais ativos, não se notam slowdowns nem nenhum problema que possa atrapalhar a jogabilidade ou a diversão.

Outra coisa interessante na parte visual do jogo é o uso de onomatopeias (como batidas em portas, tiros, explosões, motores em funcionamento…) e representações visuais diversas (como as famosas “gotas de suor” quando o personagem é pego de surpresa) que dão ao jogo um “feeling” muito interessante. Em certos momentos tem-se até a impressão de que você está jogando uma história em quadrinho animada (não que o jogo tente simular ser uma…).


As onomatopeias são usadas mesmo durante as batalhas, não apenas em “cutscenes”

O jogo possui suporte para suporte para saída em 480p (“resolução padrão”) e 720p (“alta definição”).

Gameplay:

Um sistema único de combate baseado em turnos chamado de BLiTZ (Battle of Live Tactical Zones) dá ao jogo uma jogabilidade muito interessante. Durante seu turno, o jogador inicialmente vê um mapa geral (o chamado “Modo de Comando” ou “Command Mode“), mas assim que uma das unidades é escolhida para entrar em ação (unidades essas que você escolhe quais são e pode posicionar em alguns pontos pré-estabelecidos antes da batalha), o modo muda para algo parecido com um jogo de tiro em 3ª pessoa (esse é o Modo de Ação ou “Action Mode“). Nesse modo, você controla integralmente o movimento da unidade escolhida, podendo mexer-se livremente enquanto sua barra de AP (cujo tamanho varia de acordo com a classe do personagem) não esvaziar por completo. No Action Mode o jogador pode acionar o Modo de Mira (“Target Mode”), no qual toda ação é “congelada” e você controla apenas a mira do personagem, tendo tempo para pode mirar com calma e almejar os famosos “Headshots” ou tentar acertar os pontos fracos dos tanques inimigos.

Mapa no “Command Mode”, mostrando uma visão geral do campo de batalha
Detalhe destacando a barra de AP

Para controlar suas unidades, você usa uma certa quantidade de CP (“Command Point”), em via de regra 1 para unidades de infantaria e 2 para tanques. Em cada turno você tem uma determinada quantia de CP’s para gastar, podendo mexer diversas unidades diferentes ou uma mesma unidade diversas vezes (a cada novo movimento da mesma unidade dentro de um mesmo turno ela tem menos AP, devido à “fadiga” que ela vai acumulando). Além de comandar unidades, os CP’s podem ser usados pelo Welkin para dar ordens especiais (que você vai aprendendo ao longo do jogo) para pedir coisas como suporte de artilharia, coordenar a equipe médica (pedir cura para um ou vários aliados) ou subir o moral de uma ou várias unidades (bônus temporário em algum atributo). Os CP’s não usados num turno são acumulados para o turno seguinte, até um máximo de 20 CP’s.

O uso inteligente dos CP’s é fundamental para a vitória e um bom Rank ao final da missão

Suas unidades (e as inimigas) são dividas em algumas classes, que vão definir as características básicas da personagem em combate: Scout (grande mobilidade, poder de fogo médio, usa rifle), Shocktrooper (bom ataque e defesa contra outras unidades de infantaria, mobilidade mediana, usa metralhadora e, mais a frente, também lança-chamas), Lancer (unidade de infantaria especializada em combate contra tanques, baixa mobilidade), Sniper (usa rifle de longo alcance para abater unidades inimigas distantes, baixa mobilidade, mas excelente alcance) e Engineer (ruins em combate, sevem mais como suporte e são extremamente versáteis, podendo desarmar minas terrestres, reparar sacos de areia que podem servir de proteção, reparar seu tanque em combate… usam rifle e sua mobilidade só perde para a dos Scouts). As classes formam entre si um sistema balanceado de vantagens e desvantagens: unidades “comuns” de infantaria (Scouts, Shocktrooper, Sniper) são ótimos contra os lentos Lancers, que por sua vez são as únicas unidade de infantaria capazes de parar um tanque desde o início do jogo; os tanques por sua vez, podem dizimar facilmente suas unidades de infantaria comuns que, a princípio, não representam risco para eles (tanques).

O zoom dos rifles dos Snipers lhe permite acertar inimigos sem que eles saibam o que os matou
Os tanques sempre demandam muito cuidado de sua parte

Além das classes que emprestam atributos gerais, cada unidade tem um conjunto de habilidades (ou inaptidões) chamadas “potentials” quem conferem características mais personalizadas a ele/ela e podem ser coisas como alergia a pólen, a metal ou a desertos (ambientes com muita areia e poeira), gostar (em especial) ou odiar uma outra unidade, ser capaz de regenerar dano sofrido, carregar munição extra “na manga” (no caso das classes cuja munição é limitada) ou… ser maníaco por vegetais! A maioria dos potenciais é séria, mas alguns têm tom bem humorado, mas seja como for, em batalha, quando ativados (o que nem sempre ocorre), eles farão o efeito a que foram destinados (recuperar/drenar HP, aumentar/diminuir temporariamente um -ou mais- atributo(s)…).

Quando um “potential” é ativado, uma rápida animação acontece para lhe avisar.

O ambiente onde se passa cada batalha também influência o combate: ambientes mais urbanos permitem que se leve os Snipers, por exemplo, para o alto de telhados ou postos de observação, permitindo que se aproveite muito melhor o que a classe pode oferecer; construções e prédios oferecem proteção impenetrável contra tiros (até mesmo de tanques), algumas paredes em ruínas ou cercas de madeira pode ser derrubadas por seu tanque (ou tiros de Lancer), criando novas passagens e rotas para suas tropas; unidades, no entanto, criadas em meio a natureza podem se sentir desconfortáveis nesse tipo de ambiente. Florestas e similares oferecem relva alta que serve para diminuir a chance de ser visto pelos inimigos ao mesmo tempo que atrapalha a mira inimiga (na prática, aumenta a defesa), árvores podem atrapalhar a mira adversária, servindo de proteção; no entanto, para quem é alérgico a pólen…

Unidades cujo HP chega a zero em combate, em via de regra, ficarão inconscientes “em estado crítico” e alguém do seu grupo deve, dentro de três turnos, ir até unidade para resgatá-la (tocar a unidade caída aciona uma cena onde a médica do grupo vem resgatar a unidade “apagada”). Caso três turnos se passem ou se um inimigo tocar a unidade desfalecida, ela será perdida para todo o sempre -se for uma unidade “genérica”- ou irá se retirar, caso seja uma unidade importante para a história (como o Largo ou a Rosie). Se quem for abatido for o Welkin, é Game Over direto, sem chance para se tentar resgate. Em algumas fases a mesma regra do Welkin valerá para a Alicia, em outras ela será tratada como “personagem relevante para a história” e se retirará de combate caso a condição de “morte permanente” seja atingida para ela.

Sons e Música:

A parte de sons e música do jogo não fica devendo nada. Por outro lado, também não é (a meu ver) um dos pontos altos do jogo. As músicas são legais, algumas bem empolgantes até, fazendo valer a pena se ouvir a OST do jogo, mas até onde minha memória lembra, não há uma música assim… digamos… épica. Claro, sua opinião sobre música depende muito do seu gosto musical, portanto você pode divergir frontalmente da minha opinião.

Os efeitos sonoros também não são enjoativos ou irritantes e, em via de regra, você não deve tomar raiva deles mesmo depois de jogar o jogo todo.

Dublagem e Tradução

Essa parte iria ser tratada dentro da parte de “Sons e Músicas”, mas acho que ela merece comentários extras, então separei as seções…

Valkyria Chronicles (a versão americana, no caso) traz para o jogador a chance de escolher entre a dublagem original em Japonês ou a versão em Inglês, bem como de ligar ou desligar as legendas (em Inglês), algo bem bacana, permitindo a você poder curtir o jogo como os criadores idealizaram (com as vozes escolhidas originalmente, no Japão) ao mesmo tempo em que lê as legendas em Inglês (para poder entender a história) ou então treinar seu Inglês “de ouvido”, botando o áudio dublado em Inglês e ligando as legendas para ir conferindo se você está entendendo bem o que é falado. Se você já se sente confiante no Inglês pode até desligar as legendas e tentar entender só pelo áudio.

A dublagem japonesa do jogo está muito boa e somente quem não é acostumado com o estilo japonês de dublagem vai estranhar. Por outro lado, jogar com a dublagem em Japonês enquanto se lê o jogo inteiro em Inglês faz perceber que houve algumas mudanças notáveis na tradução, embora não tenha percebido nada grave (até porque eu não entendo quase nada de Japonês). O que deu para perceber é que em vários diálogos “normais” do jogo, piadinhas ou gírias militares que não existiam na dublagem japonesa foram introduzidas na versão localizada. Coisa de americano…

A dublagem em Inglês… bem, se você nunca ouviu a dublagem em Japonês pode ser que você não veja nada demais ou até goste da dublagem americana, mas para quem ouviu a versão original (especialmente se você for acostumado com a dublagem japonesa)… eu não consegui ouvir dois capítulos inteiros do jogo em Inglês… é simplesmente MUITO ESTRANHO. Se você por acaso curte animes ou costuma ouvir a dublagem japonesa dos jogos, mas quer treinar seu Inglês e deixar o jogo com a dublagem americana, deixe para ver (ou melhor, ouvir) a dublagem japonesa no Clear Game, depois de zerar o jogo uma vez. Depois que acostumar-se com o voiceover japonês, trocar para o americano será complicado…

Unidades Genéricas, mas nem tanto…

Um ponto interessante nesse jogo. Ao contrário de muitos outros onde ou você tem um time “fixo” ou então daqueles onde você compra “unidades genéricas” como se comprasse batatas na feira e as descarta como se descobrisse que alguma(s) delas estava(m) podre(s), em Valkyria Chronicles você tem um rol de “recrutas”, já devidamente separados pela Milicia em classes, do qual você escolhe até 20 personagens para compor seu esquadrão. A cada capítulo, alguns novos “recrutas” são adicionados até que todos eles estejam “destravados” (há alguns, no entanto, com condições especiais para serem destravados). Você pode devolver ao rol principal quaisquer dos 20 escolhidos (exceto os “líderes” Welkin, Alicia, Rosie e Largo) para poder pegar “gente nova” ou até trazer de volta alguma unidade que você anteriormente tenha “dispensado”, mas tenha se arrependido e queira de volta.

Eu chamo esses recrutas de “unidades genéricas” mais por eles serem unidades não-importantes para a história principal do jogo do que por eles serem realmente “genéricos”. O sistema de potentials do jogo somado ao fato de que todas as unidades têm um desenho próprio, personalidade própria, voz em batalha própria (e diferente uns dos outros) faz com que o player crie empatia com as personagens e também faz com que a experiência de escolher uma unidade ou outra mude (as vezes radicalmente) a experiência de se jogar aquela fase. Botar alguém com potential “Sadist” pra ir pra cima da infantaria inimiga é uma coisa maneira, botar alguém com “Stage Fright” pra fazer o mesmo é suicídio… Outra coisa que contribui para diminuir o efeito de “genericidade” desses “recrutas” é que conforme você os usa, vai-se abrindo trechos da história, do background dele/dela (e, às vezes, algum potential novo).

Algumas das unidades “genéricas” à sua disposição

Um efeito bem curioso desse modo de tratar as unidades que não fazem parte do plot é que muitas vezes você se apega a unidades com potentials negativos chatos, mas dá um jeito de usá-las assim mesmo.

DLC:

O famoso “Downloadable Content” (Conteúdo via Download, comumente abreviado para DLC) também se faz presente em Valkyria Chronicles. O conteúdo extra está disponível na PS Store que, embora não exista oficialmente no Brasil, pode ser acessada por nós de terra brasilis (o “truque” para tal você pode conferir nesse post). O DLC de Valkyria Chronicles não é de graça, então você precisa de créditos na PS Store para baixá-los, mas para nossa alegria é possível comprar cartões pré-pagos da PS Store (com ágio, é verdade…) até mesmo no Mercado Livre (o que te dispensa de ter Cartão de Crédito Internacional…).  O DLC de Valkyria Chronicles, na data deste post, inclui:

Hard EX Mode (Preço: US$ 4,99 + impostos) – Nível “Extra Difícil” para as Skirmishes. E não vá pensando que apenas mais inimigos são adicionados em cada mapa. Só para começar: o Edelweiss (tanque do personagem principal, o Welkin) não está disponível… isso por si só já muda algumas (muitas) táticas… há também, entre outras mudanças, o acréscimo de sete novos “Aces” inimigos (um “Ace” é um inimigo especial que quando derrotado deixa cair UMA UNIDADE de uma arma que só pode ser conseguida derrotando esse exato Ace).

Selvaria’s Mission “Behind Her Blue Flame” (Preço: US$ 4,99 + impostos) – Um conjunto de missões onde você controla as forças imperiais (sim, desta vez você controla o inimigo) lideradas por ninguém menos que Selvaria Bles (se você nunca jogou o jogo, o máximo que posso dizer sem estragar surpresas é que ela é o inimigo mais forte do jogo e o que vai te dar mais dor de cabeça quando aparecer no seu caminho). A própria Selvaria é controlável aqui, mas parece que algumas limitações foram feitas (por exemplo, Selvaria não carrega granadas, então se você precisar explodira algo para abrir caminho, isso será tarefa do personagem principal da história desse DLC). Se você na história principal precisou em muitas missões tomar bases do inimigo, aqui as forças da Gália (que são as suas inimigas nesse DLC) estarão tentando fazer exatamente isso! Você precisará ao mesmo tempo cumprir a missão dada e evitar perder suas bases para os oponentes.

Selvaria ganha suas próprias missões, para a alegria de muitos jogadores

Edy’s Mission “Enter the Edy Detachment” (Preço: US$ 4,99 + impostos) – Nossa cara Shocktrooper “genérica” Edy e um punhado de soldados (entre eles alguns dos mais “esquecidos” pelos jogadores, embora haja unidades boas também) acabam numa situação problemática: precisam defender a base onde você começa de dois tanques e uma horda de inimigos tipo infantaria por 03 turnos. Pode parecer bobagem, pode parecer pouco, pode parecer não valer 5 dólares… mas além de serem 05 turnos difíceis, dependendo de como você faça a missão, você verá 01 dos 04 possíveis epílogos para esse “capítulo extra”. Você provavelmente vai gastar algumas horinhas para ver todos os finais possíveis, fazendo esses 5 dólares serem bem gastos.

Edy ganha seus “15 minutos de fama” com seus 02 DLC’s

Challenge of the Edy Detachment (Preço: US$ 4,99 + impostos) – Um conjunto de 06 Skirmishes, uma focada em cada classe de personagens do jogo (Scout, Shocktrooper, Lancer, Sniper e Engineer) e mais uma baseada em tanque e que reúne as demais classes também. Apesar de serem Skirmishes, essas missões não são fáceis e exigem mais estratégia, talvez, do que as missões principais do jogo. Procurar por inimigos escondidos com um Scout, usar um Shocktrooper como unidade defensiva (mas que ainda precisa atacar) ou escolher a dedo quais os inimigos certos a serem abatidos em cada turno com seu Sniper pode não parecer nada demais, mas para conseguir um “A” nessas missões, você terá um belo trabalho e elas lhe renderão mais algumas horas de diversão.

Os tais “impostos” citados acima, ao contrário do que comumente ocorre aqui no Brasil, são bem módicos: se minha memória não falha são 5% a mais cobrados na hora de descontar os créditos da sua conta na PS Store (a PS Store informa a quantia certa durante a compra).

Adaptações e Continuações:

Valkyria Chronicles recebeu uma adaptação na forma de um anime com 26 episódios. A série animada não foi muito bem recebida por uma fatia razoável dos fãs do jogo, especialmente porque o anime não é 100% fiel ao jogo e alguns episódios do meio da série param de contar a história e se concentram em mostrar um pouco mais do 7º Esquadrão e dos personagens (ou seja, tem uma certa cara de encheção de linguiça…). Eu vi o anime antes de ter jogado o jogo e, fora os episódios de enrolação que podem ser um pouco chatinhos, achei o anime bem legal (e foi ele que me fez querer ter o jogo). Se você não for um “fã purista” ou se você não conhece o jogo (e gosta de anime), pode ser uma boa opção para você ver se vai se interessar pelo universo de Valkyria Chronicles.

Existem duas adaptações em mangá: uma chamada “Valkyria Chronicles – Wish Your Smile” que mostra a história de dois personagens feitos para o mangá (ambos participando da Milícia da Gália) e a outra adaptação que carrega o mesmo nome do jogo e que é uma adaptação direta da história do jogo (embora também não 100% fiel).

O jogo ganhou ainda uma “continuação” para PSP chamada Valkyria Chronicles II, que não é continuação direta da história do primeiro jogo, mas uma história passada na Gália, dois anos após o final dos combates entre a Gália e o Império.

Acaba de sair no Japão, no finalzinho de Janeiro (2011), o 3º jogo a carregar o título “Senjou no Valkyria” (o título original do jogo em Japonês), que também é para PSP. Possivelmente chamado Valkyria Chronicles III quando for lançado no Ocidente, o jogo conta uma história passada durante a “Segunda Guerra da Europa”, de um Esquadrão Especial da Milicia (número 442) composto apenas de criminosos, desertores e pessoas que cometeram crimes militares, todos tendo seus nomes apagados dos registro e que são referidos apenas por seus números e usados para as missões “sujas” ou perigosas demais para serem passadas para o Exército ou para a Milícia.

Finalizando:

Valkyria Chronicles é uma jogo interessante sobre diversos pontos de vista diferentes. Com uma jogabilidade muito interessante, gráficos bonitos e uma história bem legal, o jogo é bem cativante (embora pessoas sejam cativadas pelo jogo por motivos diferentes). Mesmo eu, que gosto muito de JRPG’s e RPG’s estratégicos “tradicionais” gostei muito do jogo (e não foi apenas pelo jogo ter elementos de RPG Estratégico). A movimentação livre pelo mapa (enquanto tiver AP’s), o fato de mesmo os personagens “genéricos” serem razoavelmente distintos uns dos outros e a diferença que isso faz em batalha, a alternância de fases difíceis com algumas mais fáceis (o que torna o jogo desafiador sem ser frustrante), o “Mad Rush” para se conseguir nota “A” (“S” na versão japonesa) em especial quando você tentar matar todos os tanque e líderes adversários para ganhar os bônus de XP e dinheiro, a chance de se jogar algumas batalhas (levemente modificadas) como “Skirmish Battle” (que serve para treinar as tropas, mas é algo completamente opcional), as histórias “extras” que você pode comprar da repórter… o jogo tem vários fatores interessantes (além dos gráficos bonitos, boa música e história legal) que podem prender o jogador. Não foi à toa que jogo, à época de seu lançamento, ganhou diversas premiações e notas altas em sites diversos especializados em games.

Alguns consideram esse jogo como um dos mais “overlooked”, um dos mais negligenciados e ignorados (sem ser merecedor de tal) do PS3. Era para ter sido um dos maiores hits da plataforma, mas acabou tendo vendas relativamente modestas (parece que ele foi lançado na mesma época que vários jogos de franquias famosas) e acabou se tornando uma pérola ignorada pela maioria dos jogadores. Após o lançamento dos primeiros DLC (e, ao que parece, um corte de preço na Amazon e também a estreia do anime que mostrou a existência de Valkyria Chronicles para um público novo), o jogo viveu um período de altas vendas e chegou a ocupar posições de destaque em alguns “tops” de vendas semanais, mas certamente as vendas dele ainda ficaram aquém do que o jogo merece.

“Um excelente jogo para os donos de PlayStation 3.” é uma frase que resume bem o que o jogo é.

Ficou interessado ou tem o jogo e ainda não jogou? Há um Demo (gratuito) na PSN, baixe e confira! Agradecimentos ao Marco Antonio pela ajuda com as imagens do post.

Rafael-san, O Enxugador de Gelo

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