Análise: Lana Del Rey – Born To Die


Nessa terça (31/01/2012) foi lançado, oficialmente, o primeiro e tão aguardado álbum do fenômeno da internet, Lana Del Rey. Um álbum envolto em polêmica, expectativas e muito marketing. Mas hoje não iremos falar de sua personagem, sua boca exagerada ou de sua pose moldada pela gravadora. Vamos falar da música!

Infelizmente, na minha opinião, o álbum de Lana Del Rey (a.k.a Elizabeth Grant) se mostrou limitado a inserir um novo personagem no cenário musical, deixando, em muitos momentos, a música de lado. Durante todo o período de audição de Born To Die, as músicas passam uma sensação de desconforto, por uma imagem inacabada da personagem. Aqueles que se encantaram com o clima levado, descompromissado e ao mesmo tempo sofrido que músicas como Video Games, Blue Jeans e Born To Die nos proporcionaram nesses últimos meses, podem levar um susto com o restante do repertório, que muitas vezes soa infantil ou corrido. Posso até dizer que metade do álbum é cantada pela personagem “Lana Del Rey” e a outra metade
é cantada pela vontade desesperada de Lizzy Grant em mostrar que ela não é exatamente isso que vende ao público. Parecem duas cantoras diferentes.

Paremos de conversa e vamos às músicas:

Born To Die: Conhecida de todos, com um clipe muito bem produzido (dirigido por Woodkid), mostra a Lana Del Rey que agradou a todos, com um vocal vintage e sensual e um letra sofrida, sem se preocupar em ser pop demais ou alternativa de menos.

Off To The Races: Virou minha música preferida com o passar do tempo. Adoro a levada menos deprê do vocal e a batida swingada de momentos. A variação vocal de Lana também é um ponto positivo. Com o passar da música, o vocal de Lana fica menos safadinho e mais doentio e os agudos mais psicóticos, tudo isso em nuances quase imperceptíveis. Ponto pra ela!

Blue Jeans: Outra música gostosa de escutar até não conseguir mais. Os responsáveis pelo marketing de Lana acertaram na escolha de quais músicas divulgariam primeiro. Sensual, romântica e misteriosa, para mim é a música que melhor define a personagem “Del Rey”.

Video Games: A queridinha de todos os que se apaixonaram pelo som de Lana. Romântica, sofrida, angustiante, simples e bem executada.

Diet Mtn Dew: Uma das minhas surpresinhas preferidas do álbum. Com um arranjo mais acelerado, um das músicas mais pop do álbum,  Diet “Moutain” Dew é gostosinha de dançar devagar e, possivelmente, irá render alguns bons remixes.

Detalhe: se você gosta de sons característicos, Born To Die é repleto de um vocal peculiar ao fundo de várias faixas. É como um homem dando um leve grito, algo que lembra backins negros de R&B. Esse vocal tem uma leve variação de tons, dependendo da música, mas em geral, é reconhecível.

National Anthem: Poucas alterações em relação à sua versão divulgada, meses atrás. Algumas nuances na textura dos vocais e uma introdução sinfônica que lembra, de longe, a famosa Bittersweet Symphony, do The Verve.

Dark Paradise: Primeiro sinal da transição entre Lana Del Rey e Lizzy Grant. Uma música um pouco mais fraca que as outras. Ainda está na minha lista da “parte boa” do álbum.

Radio: Reparem que, no decorrer do álbum, o vocal de Lana fica quase que permanentemente fino e infantil. Radio não é uma música ruim, mas é meio cansativa e contrasta com o nível alto das músicas anteriores.

Carmem: Melodramática, cansativa, pouco ritmo e com uma roupagem que me soou pretensiosamente teatral.

Million Dollar Man: Uma introdução gostosa, meio noir. A levada sensual é o ponto forte dessa música que me surpreendeu quando o ritmo do álbum começou a diminuir.

Summertime Sadness: Não sei explicar exatamente o que aconteceu aqui, mas Summertime Sadness poderia MUITO BEM ser uma música cantada pela Rihanna. Aliás, depois de Lady Gaga, eu tenho um certo trauma com sílabas repetidas usadas sem contexto. Não funcionou.

This Is What Make Us Girl: Acho que é o maior equívoco do álbum. Assemelha-se DEMAIS ás músicas de Lizzy Grant, antes de Lana Del Rey. É o pop de fácil acesso, com uma letra boba e atitude clichê.

Whitout You: Esta é a prima faixa da edição deluxe de Born To Die. Muito água-com-açúcar para a imagem que é vendida de “Nancy Sinatra Gangsta”. Uma arquitetura musical repetida em várias músicas anteriores. Passa a incomodar.

Lolita: Outra música equivocada. Uma introdução clássica que anuncia algo mais elaborado é substituída pelo refrão mais infantil do álbum. É difícil ouvir essa música e associar a mesma Lana de Blue Jeans e Off To The Races. Essa vibe “líder” de torcida não funciona MESMO!!!!

Lucky Ones: Música que já começa com vocal (sem introdução), normalmente me conquista. Mas achei cafona! Me lembra música de heroína de novela, com cabelos ao vento. Outras vezes me lembra Jane e Herondi (hahaha acredite!), em outros momentos parece trilha de alguns animes que assisti. Muito melodramática e com um romantismo completamente batido e desnecessário.

Avaliação final: 7.5

Born To Die não é um álbum ruim. Tem grandes músicas e músicas péssimas. Infelizmente foi superestimado por um marketing demasiadamente agressivo, sem o respaldo de uma grande produção. Talvez, sem uma certa gordura, com 9 ou 10 músicas, Born To Die fosse um álbum incrível. Lana Del Rey ainda tem muito chão e muita pedra para enfrentar nesse mundo de celebridades instantâneas e gravadoras sedentas por um novo Justin Bieber ou uma nova Lady Gaga.

Minhas recomendações são as faixas mais originais: Off To The Races, Video Games, Diet Mtn Dew e Millian Dollar Man.

Lana Del Rey – Born To Die
Gravadora: Interscope/Universal
Lançamento oficial: 31/01/2012
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