Os 20 melhores álbuns de 2011

2011 pode ser definido como o ano da inovação, evolução e superação musical. Se existe alguma coisa em comum entre Pj Harvey, Adele, Feist, Beyoncé e Wilco, é que todos possuem a competência de enxergar as referências ao seu redor e executar um excelente trabalho, cada um dentro de sua proposta musical. Bons artistas surgiram, bons artistas voltaram e bons artistas se destacaram como pessoas que não se prendem a rótulos e não perseguem fórmulas. Se a música de 2011 teve algo para nos ensinar, essa lição é muito simples: nunca se contente com o que está bom. Procure sempre melhorar, ousar e ultrapassar seus próprios limites.

Confira agora a lista dos 20 melhores álbuns de 2011, segundo o Aglomerado News:

20º – Cults – Cults

19º – Wilco – The Whole Love

18º – Beyoncé – 4

17º – Foster The People – Torches

16º – Telekinesis – Desperate Straight Lines

15º – Bjork – Biophilia

14º – Holy Ghost! – Holy Ghost!

13º – TV On The Radio – Nine Types of Light

12º – Metronomy – The English Riviera

11º – Fleet Foxes – Helplessness Blues

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10º – Laura Marling – A Creature I Don’t Know
Esse é um nome que vai ficar nas nossas cabeças por muitos e muitos anos! Laura Marling, que teve um dos melhores álbuns de 2010, mostrando toda a sua evolução musical em tão pouco tempo, nos brinda com mais um álbum rico e surpreendente. Os violões e a voz forte ainda são os trunfos do disco, mas agora ela está mais intensa, mais madura. Guitarras fortes em arranjos grandiosos são encontrados no som de Marling. A Creatura I Don’t Know apenas consolida Laura Marling como uma das maiores vozes do folk britânico de sua geração. Nota: 9

Faixa de destaque: Sofia

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09º – Lykke Li – Wounded Rhymes
A impressão que tive após ouvir Wounded Rhymes foi que Lykke Li cresceu! Não é para menos! Três anos após sua estréia em Youth Novels, o som de Li parece muito mais coeso e bem amarrado. A menina tímida e aparentemente insegura cresceu e virou uma mulher perdida em sua própria força; ora agressiva demais, ora sozinha demais. Toda essa jornada de auto-conhecimento, altos e baixos e descobertas é levado aos ouvidos na forma de diversas experimentações e experiências conseguidas nesses três anos, inclusive, com a colaboração em álbuns de artistas como: Royksopp, Drake, N.A.S.A.. Todos distintos entre si, como as experiências dessa nova mulher. Nota: 9.2

Faixa de Destaque: Jerome

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08º – M83 – Hurry Up, We’re Dreaming
A viagem audio-sensorial do M83 em Hurry Up, We’re Dreaming é o que o transforma em um dos melhores de 2011. Não é o melhor álbum da banda, mas por diversos motivos é o álbum mais emocionalmente libertador. Muito disso se deve ao rompimento do duo; agora o M83 se resume exclusivamente às ideias e aos desejos de Anthony Gonzales. O álbum só não teve uma colocação maior, porque com um tema tão vasto, como sonhos, é natural que sobrasse uma certa gordura em um álbum duplo com 22 faixas. De qualquer forma, o padrão do álbum ainda é alto. Altíssimo! Nota: 9.2

Faixa de destaque: Claudia Lewis

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07º – James Blake – James Blake
Quando James Blake apareceu para o público, com um cover honesto de Limit To Your Love, da Feist, eu dei um respiro de alívio e senti um pouco de humanidade. Um dubstep experimental, minimalista, mas de grande força, devido ao potente e assombroso vocal de Blake: Limpo, forte e imponente; equilibrando sua voz reconfortante e quase sobrenatural com batidas definidas (soando, inclusive como trip-hop) e sintetizadores. Nota: 9.4

Faixa de Destaque: The Wilhelm Scream

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06º – Feist – Metals
Leslie Feist é uma grande artista. Muito mais poderosa, inteligente e perspicaz do que nós, meros ouvintes, conseguimos perceber a primeira hora. Para quem achou que a carreira de Feist já estava consolidada dentro do mundo pop mainstream, terá que pensar duas vezes antes de categorizar Metals. Feist sabe do seu dom e sabe que ele foi feito para tocar a alma das pessoas e não seus bolsos. Metals não é um álbum feito para ser comercial. Metals é um álbum para ser genial! Com bases instrumentais muito parecidas com as de The Reminder, Feist adicionou doses fortes de rock, jazz e country, porém, com uma roupagem minimalista, simples, intimista e melancólica. Com toda essa coragem de ir contra uma fórmula de sucesso criada por ela mesma, Feist conseguiu criar o seu melhor álbum, até agora. Nota: 9.5

Faixa de destaque: Graveyard

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05º – St. Vincent – Strange Mercy
St. Vincent é minha paixãozinha, desde que descobri “como vive um ator fora do trabalho”, em Actor. Strange Mercy é uma prova definitiva de que a música pop pode ser feita de nuances e com bastante elegância. Tem coisa mais pop que o desabafo quase adolescente em Cheerleader ou o arranjo dinâmico de Cruel? Preste bastante atenção no que St. Vincent lança em suas letras! Em geral, são pensamentos muito inteligentes em frases muito inocentes. Nota 9,5

Faixa de destaque: Chloe In The Afternoon

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04º – Adele – 21

Eu tenho muito orgulho em escrever sobre artistas que evoluem com o passar do tempo e não repetem fórmulas de sucesso. Adele é um belo exemplo de uma artista que “absorve referências”. 21, diferentemente de seu antecessor (19) é um álbum pop: música de fácil acesso, refrões fortes (às vezes até grudentos) e melodias que agradam o grande público. Porém, se utilizando das referências que definiram o seu estilo, Adele reciclou sua fórmula para algo mais acessível ao povo e ao crítico mais chato. Tudo isso sem perder a sua prórpria identidade. E se não bastasse todo o drama de fim de relacionamento narrado em todo o álbum, ainda tem um belo cover de Love Song, do The Cure. Nota: 9,6

Faixa de destaque: Set Fire To The Rain

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03º – Florence and The Machine – Ceremonials
Você, que se tornou fã da espontaneidade das letras, da melodia e dos exageiros de Florence Welch, em Lungs, pode estranhar o clima “comedido” deste novo trabalho. Comedido emocionalmente, todavia, musicalmente grandioso, como um drama medieval. Porém, quem consegue enxergar que “moldado pela gravadora” nem sempre é um termo pejorativo, vai amar a nova imagem de Florence Welch; de uma menina descobrindo a vida, para uma mulher que vive os sofrimentos do mundo. O álbum é sombrio e depressivo, com arranjos imponetes e etéreos. Não é sempre que a indústria musical acerta em um produto pop. O cenário atual está desgastado com doses cavalares de futilidade, superficialidade e arrogância camufladas de “reinvenção”. O som de Florence é honesto, bonito, dramático e artístico, mas sem usar a máscara da arte em torno do produto, mas a arte na própria música. Nota: 9,7

Faixa de destaque: Seven Devils

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02º – Bon Iver – Bon Iver

“O ano é de Bon Iver”, disse Adele em uma entrevista. Não poderia estar mais correta! Bon Iver é uma espécie diferente de som depressivo; ele não está massageando o ego do seu problema, mas te ajudando a encontrar um recomeço. Seu som é cru, sua melodia é profunda… Muitas vezes é difícil dizer se o que você está sentindo é uma melancolia de segunda de manhã ou uma alegria fria de um domingo de sol fraco, no inverno. Para tal feito, o compositor Josh Vernon se isolou numa cabana, após um fim de relacionamento e o desligamento de sua antiga banda, para reciclar todas as suas emoções em composições honestas. Não tem melodrama, nem exageros, nem vocais intensos… Tudo é muito íntimo e os falsetes soam como lamentações conformadas. Nota: 9,7

Faixa de destaque: Holocene

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01º – PJ Harvey – Let England Shake
Com o passar dos anos a maturidade musical de PJ Harvey se mostrou ainda mais marcante. Depois de anos com o rock agressivo e pessoal, guitarras bem marcantes e um postura feminista, Polly Jean reaparece com um álbum completamente diferente de tudo o que ela já produziu, o fantasmagórico e surpreendente White Chalk. Dois anos depois, veio mais uma parceria com John Parish que, apesar de não ser ruim, não foi um dos meus preferidos. Em Let England Shake, as guitarras voltam a dar as caras, mas de uma forma nunca antes utilizada por PJ, acompanhadas pela acústica autoharp e um tom bastante folk. Um álbum conceitual, elegante e eu poderia até dizer  histórico. O disco é uma “homenagem” à história da Inglaterra em suas guerras e conflitos (algo como “amo e odeio”). Não é a primeira vez que PJ se utiliza de uma cidade para compor seus trabalhos; em Stories From The City, Stories From The Sea, a cidade de Nova York era o pano de fundo de suas letras sobre desilusões e conflitos amorosos. De uma forma interessante, PJ Harvey evolui com o passar dos anos, criando obras de arte tão diferentes umas das outras, mas, mesmo assim, tão Pj Harvey em sua essência. LES é um álbum para quem é fã de verdade e sabe enxergar o quanto essa mulher tem a crescer e para quem consegue crescer com ela. Nota: 9,8

Faixa de destaque: The Last Living Rose

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