Review: Abney Park

Tenho verdadeira paixão por música. Não me prendo a nenhum estilo ( embora tenha o meu “favorito da vez” , estou sempre de coração aberto), e estou sempre em busca de coisas novas. Fora isso, tenho muito tempo vago e internet liberada. Numa dessas noites pesquisando sobre coisas aleatórias, resolvi ler sobre o movimento steampunk. E lendo sobre esses lindos, encontrei um blog falando sobre bandas steampunk. E encontrei o Abney Park.


Depois da primeira música, me perguntei onde eles estiveram por toda minha vida.

O Abney Park surgiu em Seattle, em 1997, e o som deles mistura world music, eletrônico, industrial e gótico. E é uma mistura que dá muito certo. Outra coisa incrível sobre a banda é: eles não tem gravadora. Eles são os próprios produtores. O idealizador é o vocalista, o “capitão” Robert Brown.

Os dois primeiros álbuns, Abney Park (1997) e Return to the Fire (1998) são “teóricos”. Teóricos porque na prática são impossíveis de achar. Nem listados na página oficial eles estão. Mas não se desespere! Cemetery Number 1 , de 2000, e From Dreams or Angels, de 2001, tem as faixas dos dois anteriores misturadas a novas composições.

No site oficial, é possível ouvir The Root of all Evil, do From Dreams or Angels. Há um certo ar de mistério na música, que começa com percussão e guitarra, algo de tribal, de árabe e gótico. O vocal sussurrado de Robert Brown fecha perfeitamente essa combinação.

Em 2005, é lançado o Taxidermy , com composições dos álbuns anteriores em versões ao vivo ou remixadas, e dois covers: White Wedding, do Billy Idol, e Creep, do Radiohead. Não sou muito fã de covers, admito, mas esses dois são ótimos. Mesmo. Principalmente White Wedding, que ficou mais pesada do que a original.

Em 2006, reforma geral: saem a vocalista, um dos guitarristas e o baixista. A banda começa a investir mais no visual steampunk, criando toda uma história de fundo: o avião da banda bateu num zeppellin que viaja no tempo, e os sobreviventes ( o que explicaria as mudanças na banda) viram piratas aéreos. Houve um apocalipse em 1906, estamos em 2150 e toda tecnologia se desenvolveu a partir das máquinas a vapor. Bacana, né? Esse background rendeu, em 2011, um livro de RPG , Airship Pirates. Sim, a banda tem um sistema de RPG steampunk!

Ainda em 2006, é lançado o álbum The Death of Tragedy, com as influências da world music muito mais marcantes do que nos trabalhos anteriores. É possível perceber isso em All Myths are True, mas o som característico da banda ainda de faz presente em Stigmata Martyr e Dear Ophelia.

The Lost Horizons é lançado em 2008 e é INCRÍVEL! É o primeiro álbum temático steampunk da banda. Além do visual , as letras começam a contar parte da história que o “capitão” Robert criou: ele fala sobre sua pirataria aérea a bordo do HMS Ophelia em Airship Pirates e em The Ballad of Captain Robert , e sobre os experimentos do cientista que criou o Ophelia em The Secret Life of Dr Calgori. Mas para mim o grande destaque do álbum é Sleep Isabella , com suas guitarras, violino e voz.

Aether Shanties, de 2009, é o sucessor de The Lost Horizons, e o segundo da temática steampunk. Pouco do início gótico da banda ainda sobrevive, embora o eletrônico ainda esteja lá. Building Steam é um ótimo exemplo disso. O som se aproxima muito mais do gypsy, do árabe, do indiano… tem uma coisa meio circo dos anos 20 no meio disso, como é perceptível em Until the Day you Die e Thrown them Overboard. Considerando que o movimento steampunk glorifica essa época, trabalho perfeito!

Em outubro de 2010, é lançado The End of Days . Ouvindo o álbum rapidamente, ele talvez pareça demais com o Aether Shanties. Mas End of Days segue uma linha mais oriental, como em Beautiful Decline, e é um pouco mais sombrio, com músicas mais lentas e menos dançantes do que seu antecessor. Letters Between A Little Boy & Himself as an Adult tem uma letra ótima, uma conversa mental que provavelmente todo mundo já teve consigo mesmo ( se não teve, devia). Para animar, Victorian Vigilante e Neobedouin : quando você perceber, vai estar batendo o pé no chão no compasso da música.

Exatamente um ano após The End of Days, o Abney Park lançou Off the Grid. Como isso aconteceu… er… bem… há algumas doze horas e o cd só vai começar a ser enviado em novembro, ainda não tenho muito o que dizer sobre ele. Via facebook, o vocalista e idealizador da banda postou um vídeo falando um pouco sobre o álbum: basicamente, feito com base nos pedidos dos fãs. Se você jogou Full Throttle ( se não jogou, devia), talvez reconheça a música “country” ( como pegadinha de primeiro de abril, Robert disse que ia começar uma banda de country, e os fãs adoraram). Fora isso, mais música cigana, mais sons exóticos e unplugged. Assim que eu conseguir ouvir, escrevo dizendo se é bom mesmo.

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