Review: Yelle

Novembro está quase aí e vai ter show, então resolvi me adiantar no cronograma mental e falar da Yelle. SIM, vai ter show! Tinha pensado numa coluna sobre Yelle junto com a review do show, mas pensei que “ vai que a pessoa curte e depois jamais vai me perdoar de ter perdido o show?”.

Yelle é uma cantora ( e também é nome da banda) francesa de eletropop – e eles não cantam em inglês estranho, é em francês mesmo. Em tempos em que para tentar ser famoso mundo afora as pessoas gravam em inglês, acho ótimo ela cantar em seu idioma natal. O nome, Yelle, vem da abreviação de “ You enjoy life” . De “yel” ( já registrado) pra “yelle” foi um pulo.

Yelle não é exatamente a mais desconhecida das bandas. Formada em 2005, começou a fazer sucesso no MySpace. Na época ainda era uma dupla, formada por Julie Budet e GrandMarnier. Eles lançaram Short Dick Cuizi, com o sample do clássico Short Dick Man ( da banda 20 Fingers com participação da cantora GIllette), e com uma letra ótima, que acaba com toda a virilidade do Cuizine, da banda de hip hop francesa TTC. O TTC lançou, em 2006, a música Girlfriend, na qual os caras da banda dizem como gostam das garotas. A letra é bem explícita, falando sobre colocar mão em partes não publicáveis aqui. Short Dick Cuizi é uma resposta ótima.

Em 2007, Yelle lança seu primeiro álbum, Pop up. Do normal para os deluxes ( são dois – o japonês e o do iTunes) a diferença são as faixas remix. O disco mistura batidas eletrônicas que lembram muito os anos 80, com o vocal meio cantado/meio falado da Yelle. E agora, além de vocalista e produtor, a banda conta com um tecladista,Tepr.
O primeiro single de Pop Up foi À cause des garçons, regravação de uma dupla homônima francesa de 1987. Uma versão remixada da versão da Yelle foi parte da trilha dos jogos Need for Speed: ProStreet e UEFA Euro 2008.

O segundo single, Je veux te voir, em 2008, é Short Dick Cuizie com outro nome, porque afinal se o sucesso veio com essa música, nada mais apropriado do que estar no álbum. No vídeo da música, há ainda o início de outra faixa do Pop Up – Jogging. Je veux te voir é maravilhosamente pra se jogar na pista, bater o cabelo, fazer coreografia… cabe!

O primeiro vídeo dessa música é ótimo, Julie quase irreconhecível. Olha só:

Ainda em 2008, embora não tenha lançado o single, temos o clipe de Ce Jeu, primeira faixa do álbum. A música é menos agitada do que as anteriores, mas é uma graça com suas palminhas e assobio, que fica na cabeça depois. Por algum tempo.

De resto, Pop Up alterna faixas mais rápidas, como Mon Meilleur Ami, Mal Poli e Jogging, e mais lentas, como a Les Femmes e Tristesse/Joie . Vale ainda destacar Dans ta vraie vie , com sua batida meio…tango.

O segundo disco, Safari Disco Club, foi lançado em março de 2011. Julie mantém seu vocal meio cantado, meio falado, mas parece estar um pouco mais confortável com a parte cantada. As batidas estão mais elaboradas. Enquanto do Pop Up é bem anos 80, Safari se aproxima dos anos 90.

O primeiro vídeo na verdade são dois: existem versões separadas, mas foram lançados como um vídeo só Safari Disco Club e Que veux-tu.

E uma coisa sensacional: embora o álbum seja de março, existe um vídeo de La Musique, há mais de um ano, postada no canal oficial da Yelle.

Safari Disco Club ainda conta com faixas ótimas, como Chimie Phisique, Mon Pays ( que é anos 90 de doeeeeer) e J’ai Bu. Todas dariam ótimos singles, na minha modesta opinião.

E, por último, mas não menos importante, tenho que falar das participações de Julie/Yelle nas músicas dos outros. Primeiro, em Parle a ma main, do grupo de rap francês Fatal Bazooka. Não é um grupo sério, as músicas são todas hilárias. Yelle também fez uma colaboração com a dupla eletro italiana Crookers, em Cooler Couleur , que ficou sensacional ( combina muito bem com o Safari Disco Club).

A Yelle ainda fez um trabalho muito sensacional com a cantora sueca Robyn: esta fez uma versão de À cause des garçons em inglês (Because of boys) , enquanto Yelle fez uma versão em francês de Who´s that Girl ( Qui est cette fille ). Saca só:

No geral, Yelle é uma banda boa. Não é, em definitivo, das melhores coisas que já ouvi na vida. É um eletropop bom, divertido… mas eu gostaria de ouvir a vocalista soltar mais a voz. Enquanto o primeiro álbum é mais anos 80 e o segundo é mais anos 90, talvez quem sabe num terceiro eles cheguem a um estilo próprio. Vamos ver se ao vivo ( no mês que vem) a coisa toda funciona ou não.

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