Tito Y Tarantula

“OH MEU DEUS, OH MEU DEUS, ELES VÃO TOCAR NA VIRADA CULTURAL! OH MEU DEUS, TITO Y TARANTULA!!!!!!!”
Ao proferir todo esse entusiasmo conversando com uma amiga e receber como resposta “ Tito e quem?”, achei que era minha obrigação nerd moral escrever sobre eles.

Sabe Quentin Tarantino? Robert Rodriguez? Então, se você conhece essa dupla mágica, é bem possível que você conheça Tito Y Tarantula ( ou Tito and Tarantula, ou Tito & Tarantula), uma vez que ele estão lá na trilha de: Balada do Pistoleiro, Drink no Inferno ( 1 e 3, mas a gente super pode esquecer que o 3 existe), Era uma vez no México e Machete.

Tito Larriva, formou a banda em 1992, depois do fim da banda Cruzados ( 1984-1988), formada depois do fim da The Plugz ( 1970-1984), e antes disso tendo passado por outras bandas do cenário latino punk americano. Com a The Plugz, Tito conseguiu aparecer em sua primeira trilha sonora: Repo Man. A banda ainda gravou com Bob Dylan.

O som? rock. ROCK. Latino rock, com uma pitada de blues, outra de punk, hard rock, Ennio Morricone, Santana, três cervejas geladas, doze doses de tequila (com verme dentro) e duas strippers. Alterna músicas extremamente sensuais e outras pra pegar a moto e atravessar o mundo.

Falar em Tito y Tarantula começa, obrigatoriamente, por Drink no Inferno e a dança sexy da Salma Hayek.

É a versão completa da música? Não? MAS QUEM LIGA PRA ISSO? Aliás, esse filme é ótimo, e melhor ainda é como ele se encaixa na grande trama tarantinesca ( Quentin adora relacionar seus filmes uns aos outros). Mas não estamos aqui pra falar do Tarantino e sim da música! After Dark, em minha humilde opinião, deveria estar em todas as playlists de temática sexo, strip-tease, pole dance e relacionáveis. É sensual, é guitarra, é Salma Hayek dançando de biquini com uma píton albina (quem é Britney Spears na noite depois dessa?)

After Dark abre o primeiro álbum da banda, Tarantism, de 1997. Além dessa, o álbum conta com Strange Face of Love, White Love e Back to the House that Love Built, da trilha de Balada do Pistoleiro, filme anterior de Rodriguez e Tarantino. O convite para tocar ( e aparecer em Drink no Inferno) apareceu durante a edição de Balada do Pistoleiro, quando Tito mostrou a Rodriguez sua música sobre vampiros.

Ainda em Tarantism, temos Angry Cockroaches da trilha de Drink no Inferno ( a música também é da trilha de Titio Noel). Ainda tem outra faixa deles no filme, Opening Boxes, que não existe nem em álbum deles, nem na trilha sonora oficial do filme. É só um instrumentalzinho básico de fundo de uma cena. Mas é legal.
Angry Cockroaches pede uma rodinha punk, é toda uma imagem “estou num bar de motoqueiros, quero beber, jogar sinuca e botar dinheiro na calcinha da stripper”. Rock. Rock como o rock às vezes se esquece de ser.

Hungry Sally & Other Killing Lullabies, segundo álbum , foi lançado em 1999. Foi marcado basicamente pelas mudanças na formação na banda. Não teve o mesmo sucesso do Tarantism embora seja bom. Mas é só isso, é bom. Na verdade, ouvindo o álbum em sequência, as músicas acabam meio parecidas demais uma com a outra. São boas, só não são nada demais. Slow Dream é bacana, é a única música do álbum que ganhou um vídeo.

No ano seguinte, sai o Little Bitch, terceiro álbum da banda. E é.. bem, é diferente. Já na primeira faixa, Everybody Needs, é perceptível isso, graças a umas distorções eletrônicas, que seguem álbum afora. A guitarra está menos marcada, e mesmo o vocal soa diferente – resultado de mais mudanças na banda, que agora conta com moças backing vocals. O som está menos latino e mais “pop” ( nas duas primeiras faixas, vai dando vontade de ouvir depois alguma banda grunge). É melhor que Hungry Sally, com certeza, mas é menos parecido com Tarantism. Aliás, ainda em 2000, mais uma música do Tarantism foi parar em trilha sonora do Robert Rodriguez: Smiling Karen.

E eles fizeram um vídeo de Forever Forgotten & Unforgiven, que é bem interessante :

Mas, de verdade? As duas últimas faixas do álbum são as melhores. Regresare é tudo de latino que faltou no resto do álbum, e Silent Train é mais próxima do blues, mais lenta, perfeita pra ouvir no escuro e tamborilando os dedos no braço da poltrona, enquanto pensa na vida.

Em 2002, Tito lança o álbum Andalucia. E, de novo, mais mudanças na banda. Sério, os caras não sossegam com line-up. A coisa mais marcante sobre o álbum, entretanto, é o clipe de California Girl, que é ruim. Ruim mesmo, tão ruim que depois de verem o clipe um dos caras vomitou, outro não foi visto por vários dias e o próprio Tito ameaçou sair da banda. Para compensar, depois, Tito fez outro clipe, usando os oito dólares que tinha no bolso.

O vídeo é tão ruim, mas tão ruim, que os últimos 40s da faixa Effortless são a banda RINDO assistindo o vídeo de California Girl. A música é legal, se você desconsiderar o vídeo. Mas vamos voltar pro resto de Andalucia?

Andalucia é melhor que Little Bitch, tem uma pegada muito mais rock que seu antecessor, mantém a influência do blues e tem uns solos muito bacanas, retomando inclusive a sensualidade stripper/bar de motoqueiros a partir da metade do álbum. My Power is in Your Hands é uma das faixas que eu recomendo.

Outra faixa ótima é La Flor de Mal, cover de Cruzados (que era do Tito e do guitarrista da banda). Acho o máximo, o homem faz cover dele mesmo. Essa música faz parte da trilha de Era uma vez no México (2003), terceiro filme da história do Mariachi Sem Nome ( El Mariachi, Balada do Pistoleiro e Era uma vez no México), de Robert Rodriguez.

Back into Darkness, de 2008, é o último álbum da banda – e um dos melhores. É, como o título do álbum sugere, mais obscuro. Tem a música tema de Machete (Tarantino é muito amor nessa vida), que é perfeita para todo tipo de atividade faroeste. Recomendada pra você, que gosta de uma guitarra bem executada.

Além de Machete, recomendo Come Out Clean, If you Love Me, Not Enough e Monsters ( que dá vontade de fazer um filme só pra botar essas duas músicas na trilha).

É interessante ver quão forte é a relação de Tito Larriva com o cinema: além de trilhas sonoras, o homem tem uma carreira respeitável como ator. Embora, a banda tenha trocado de formação com uma frequência irritante (entra guitarrista, sai baixista, muda baterista, passa a quarteto, quinteto, quarteto, sai guitarrista, entra violinista e por aí vai), e tentado algumas coisas diferentes ao longo dos anos, a qualidade do som nunca decaiu. A única coisa realmente ruim é o vídeo de California Girl. E se mantiveram sempre próximos do cinema: foram 20 trilhas sonoras ao longo da carreira.

De fato, é um show que vou ficar chateada de perder. Então, se puder, vá. Assista! Até porque, com essa música de encerramento, não tem como ser ruim:

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