O Mal da Vaca Louca


Recentemente, foi noticiada a “fabricação” da primeira criatura artificial feita pelo ser humano. Na verdade, uma bactéria controlada por um genoma sintético, criada pelos pesquisadores do J. Craig Venter Institute. Você poderia perguntar-se: E daí?

Embora as aplicações dessa tecnologia ainda não sejam claras à maioria, muitos já se monstram alarmados com as possibilidades. Desde os temerosos com o bioterrorismo, até àqueles que vêm na eventual criação futura de um “ser humano artificial”, o fim definitivo de seu Deus.


E o que o Mal da Vaca Louca tem que ver com a vida sintética?

Antes de tudo, deixe-me falar um pouco sobre isso: “A encefalopatia espongiforme bovina, vulgarmente conhecida como doença da vaca louca ou BSE (do acrônimo inglês bovine spongiform encephalopathy), é uma doença neurodegenerativa que afeta o gado doméstico bovino. A doença surgiu em meados dos anos 80 na Inglaterra e tem, como característica, o fato de ter como agente patogênico, uma forma especial de proteína, chamada príon, sendo transmissível ao homem através da ingestão da carne bovina contaminada. Os pesquisadores concluíram que a EEB está associada ao uso, na alimentação do gado, da farinha de carne e ossos (seja comprada para produzir rações na propriedade, seja comprada como constituinte de rações prontas para uso adquiridas no comércio). Essa farinha, conhecida nos países de língua inglesa como MBM (de ‘’Meat and Bone Meal’’), resulta da ‘’transformação’’ industrial dos corpos de animais, alguns dos quais, por alguma razão, não podem ser destinados ao consumo humano”.

O ponto de interesse aqui é a transformação de um animal herbívoro em carnívoro, numa clara subversão de sua natureza intrínseca. Mas, nós não fazemos isso há pelo menos dez mil anos? Selecionar as espécies que devem viver, ou que devem desaparecer; como devem ser, etc., num processo chamado de Seleção Artificial?

Acredito ser absolutamente desnecessário falar sobre a Seleção Natural e a “Teoria” da Evolução enunciada pelo brilhante naturalista britânico Charles Darwin. O que o ser humano faz, desde a invenção da agricultura, é algo similar a Seleção Natural, só que direcionada e muito mais rapidamente. A isso, os cientistas chamaram Seleção Artificial, por não ser feita pela natureza, e sim pela espécie humana.

Mas nossa espécie foi ainda mais longe. Criou os seres transgênicos. Desde a segunda metade do século XX que cientistas vem introduzindo DNA alienígena em genomas selecionados de plantas e animais. Em nossa alimentação, já há um consumo considerável de espécies transgênicas. Embora não saibamos quais possam ser as consequências, uma parte considerável da comunidade científica alerta que a ingestão desses alimentos poder nos trazer sérios problemas.

Qual é a relação da Seleção Artificial, e dos transgênicos, com o Mal da Vaca Louca? Resposta: A total subversão da natureza em um nível muito fundamental. Primeiro, domesticamos os animais e inventamos a agricultura. Depois subvertemos o DNA de plantas e animais. Por fim, transformamos um animal exclusivamente herbívoro em carnívoro.

Se ainda não ficou clara a questão, vamos por partes: Selecionamos e evoluímos (criamos) espécies que não existiriam de forma natural; subvertemos seus genomas; e fizemos animais herbívoros comerem carne (muitas vezes de seus próprios semelhantes). E dessa última, adveio uma doença que sequer é causada por um agente biológico.

E então o ser humano disse: Haja vida! E houve a vida. Primeiro de bactérias com genoma artificial; muito depois, serão os seres humanos geneticamente selecionados; e, por fim, os seres humanos sintéticos (isso não lembra Blade Runner?). Novamente, o ponto chave aqui é: a subversão do mundo natural.

E onde quero chegar com isso? Simples: NÃO HÁ ATITUDE SEM CONSEQUENCIA! Se durante dez mil anos criamos espécies (animais e vegetais) e fizemos tantas outras desaparecerem; se nossa tecnologia alterou genomas; se a inversão da natureza alimentar de uma espécie selecionada e criada artificialmente levou ao nascimento de um novo tipo de patologia… Enfim, o que poderá advir da criação da vida sintética?

Sejam quais forem as consequências, espero que qualquer novo mal introduzido pelo ser humano com essa agressiva tecnologia não venha, muito propriamente, chamar-se o “Mal do Porra Louca”!

Para maiores informações, pesquise no Google: dna sintético

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