Um breve review: Chaos Wars

Aproveitando a novidade da Sony (PS2 no Brasil, como já postado pelo Felipe), falemos de 1 jogo não muito conhecido em terra brasilis, mas que eu estou jogando e gostei bastante. Trata-se de Chaos Wars (quem leu o título já sabia…). Um jogo de RPG/Estratégia crossover de vários jogos e mais um punhado de personagens originais.

Ficha Técnica (resumida)
Nome: Chaos Wars
Desenvolvedora: Idea Factory
Lançado por: Idea Factory (Japão)
O3 Entertainment (EUA)
Plataforma: PlayStation 2
Lançado em: 21 de Setembro de 2006 (Japão)
3 de Junho 2008 (EUA)
Gênero: RPG Tático (ou RPG Estratégico, enfim…)
Site Oficial: http://www.ideaf.co.jp/chaos/system.html (Em Nihongo, digo, japonês).
Capa:

Entre os personagens retornantes estão Uru (Yuri), Alice, Karen, Nicole (entre outros) da série Shadow Hearts. Hiro, Mue, Wallace, Tonaty, Luwenelva (e mais gente) da série Spectral Forces/Souls (e mais outros nomes e outros jogos). Okita, Hijikata, Ryoma (e mais) de Shinsengumi Gunrou-den. Carmine, Tippi, Silvernale, Chriass (e mais) da série Growlanser. Grave (ou Beyond the Grave), Mika (e mais gente) de Gungrave. Kouyuki de Steady x Study e mais uns dois ou três personagens de outras fontes. Quem quiser conferir a lista completa, visite: http://www.gamefaqs.com/console/ps2/game/934027.html e escolha algum dos Detonados/FAQ (in english).
Um pouco da história
O jogo começa com o personagem principal Hyoma (original do jogo), procurando uma caverna (que ele viu em sonho) na montanha próxima à escola. O avô dele já havia falado sobre essa caverna, mas ele nunca achara a tal caverna, mesmo tendo explorado toda a montanha. Dessa vez ele, juntamente com seus amigos Hayatemaru e Shizuku (ambos originais também), acaba topando com a tal caverna e acham um objeto estranho que acaba os absorvendo e os mandando para outro lugar.
Enquanto isso em algum lugar, uma jovem é atacada por um monstro que ela diz desconhecer e deduz ser de outra dimensão. Notando que ela está desarmada, já se prepara para o pior quando Hyoma é teleportado, aparecendo bem na frente da garota. Segue um rápido diálogo onde ele descobre estar em Endia, um mundo que serve de ligação entre várias realidades/dimensões/universos/o-que-seja paralelos. Ficamos também sabendo que a garota se chama Rin (também é uma personagem original do jogo) e ela tem a “boa notícia”: por ela estar desarmada, a única magia que ela pode fazer é de cura e quem vai ter que cuidar dos monstros é ele.
Segue-se uma batalha tutorial básica e nosso herói descobre que é normal seres/pessoas de outros mundos irem parar em Endia por acidente, mas quem vem, não volta: não se sabe como enviar de volta os que vêm para Endia, embora seja possível evocá-los propositalmente, utilizando-se do sistema de gates, desde que se tenha a key certa. Esse sistema de gates tem ainda outras funções que serão exploradas ao longo do jogo. No momento você fica sabendo que, ao que parece, várias pessoas de outros mundos estão vindo (ou sendo trazidas) a Endia em um curto espaço de tempo (algo que não é normal) e que um outro grupo de pessoas está atrás das keys para propósitos aparentemente não muito nobres.
Rin apresenta Hiro (que aparece em jogos da série Spectral Souls), outra pessoa que também fora trazida a Endia. Hyoma decide então procurar por seus amigos que também foram transportados para Endia, mas para outro ponto, enquanto eles pensam num meio para voltar de onde vieram. A partir daí começa a busca pelas keys, pois uma delas pode ser a resposta para os personagens voltarem a seus mundos, enquanto os planos do outro grupo vão também se desenrolando e mais pessoas vão se juntando a seu grupo (incluindo alguns que começam como inimigos e podem acabar virando aliados).

Um pouco do sistema de batalha

Em Chaos Wars, você controla os personagens num cenário 3D, podendo trazer até 5 personagens por batalha (se tiver um “guest” na batalha, ele será controlável e contará no limite). Você tem direito a fazer até três tipos de ação por turno: uma de movimentação, uma “ofensiva” e Realize. Além disso a qualquer momento, você pode mandar um personagem do campo de volta para a base e “sacar” um personagem novo, mas o personagem retirado da batalha assim não poderá voltar na mesma luta. Cada ação feita (com exceção de Realize) interfere em quando acontecerá a próxima ação do personagem, acrescentando WT (Waiting Time). Você também pode se mover em qualquer momento do seu turno, desde que ainda não tenha atingido o limite de passos que o personagem pode dar por turno. Então você pode andar um pouco pra um lado, atacar um inimigo e se afastar dele depois, desde que tenha passos sobrando. Quando mais passos der num turno, mais WT é acrescentado e mais demorará o próximo turno do personagem. Ao final das ações, escolha Standby para marcar o fim do turno daquele personagem

A cada turno o personagem ganha uma dada quantidade de SP, que é usado pra fazer basicamente qualquer tipo de ação “ofensiva” que não seja uso de itens. Dependendo da ação feita ou de algum dano ser recebido, uma barra (S gauge) sobe e cada vez que ela completa você ganha um a mais no contador dela. Tendo 1 S Gauge cheia ou mais, permite a você fazer ou um Realize, ou Team Attack, ou usar o ataque especial do personagem (pra essas duas últimas você ainda precisará ter SP’s suficientes). Algo interessante é que os ataques/magias/habilidades nesse jogo podem ser comprados e “anexados” ao personagem como se faz normalmente com equipamentos, mas equipar um usuário de espada com uma habilidade que só possa ser usada com lança resultará na impossibilidade de usar a habilidade em batalha.
Para fazer um Team Attack, bastar ter um personagem aliado por perto, desde que esse personagem aliado tenha ao menos 1 S Gauge e também uma habilidade que alcance o inimigo a ser atacado (e, obviamente, SP pra usar a habilidade). Cumpridas as condições o jogo deixará você escolher qual das habilidades possíveis você quer usar ou se você não quer fazer Team Attack. Havendo mais de um personagem habilitado a fazer Team Attack você pode usar todos, não usar um(ns) e usar outro(s) ou apertar Start pra fazer um ataque solo do personagem que está jogando seu turno.
Na screenshot: três personagens habilitados para fazer Team Attack

Realize – uma característica comum a todas as pessoas que vêm de outro mundo para Endia (que são chamadas de Knights) é a capacidade de fazer Realize (pessoas nativas de Endia, se bem treinadas, também podem fazer Realize, como o farão alguns aliados e também alguns inimigos nativos de Endia). Quando se tiver ao menos 1 S Gauge, você poderá optar, durante o turno do personagem, por fazer Realize. O personagem terá seus atributos melhorados, sua arma mudarápara  “a arma verdadeira” dele(a) e, dentre as habilidades disponíveis para uso, aparecerá o ataque especial daquele personagem em específico. Para usar o ataque especial, além de SP, é necessário ter 1 S Gauge (ou seja, para se usar o ataque especial de um personagem você necessariamente vai gastar duas barras: uma pra entrar em Realize e outra, não necessariamente usada no mesmo turno, pra desferir o ataque). O personagem permanece em Realize por cerca de 3 turnos e você pode ver o contador de quanto falta para o fim do Realize no turno do personagem.
Algo interessante no sistema desse jogo é que mesmo em algumas das batalhas do roteiro do jogo, o personagem principal não é presença obrigatória.
Outra característica do jogo: o personagem aqui não faz level-up mágico, ou seja, não é “dei uma trauletada no inimigo e agora tenho mais HP, SP, força, defesa, etc.”. Cada ataque realizado vai melhorando o personagem aos poucos até que você junte “pontos” suficientes e então o seu HP sobe, ou a sua força. Algumas vezes vários parâmetros subirão juntos, outras não. Você também não vê esses “pontos” acumulados. Cada vez que você fizer um ataque, se algum parâmetro seu for melhorado você será avisado disso. O level do personagem serve mais como referência pra orientar o jogador.
Missões
Esse jogo não possui um mapa pelo qual você se mexe, mas utiliza o sistema de portais. Você tem um Gate Terminal na sua “base de operações” e a cada vez que você pega uma key certa, você abre uma nova localidade pra onde pode ser transportado. Cada vez que você acessa a função Gate do Gate Terminal, você pode escolher uma localidade e pegar uma missão pra fazer, dentre algumas disponíveis, sorteadas aleatoriamente cada vez que você retorna de uma missão. Cada missão tem um nível de dificuldade indicado na tela de escolha de missões.
As missões principais (Main Mission, laranjas) não te rendem recompensas extras, mas fazem o roteiro do jogo andar.
As Quest Missions (amarelas) te põem pra lutar um determinado número de estágios (que você vê antes de escolher a missão) e ao final, você recebe uma recompensa (pode ser dinheiro, um item, uma habilidade… e que você também sabe qual é de antemão).
As Search Missions (azuis) te põem também pra lutar, em média por mais estágios que as amarelas, mas não te dão recompensas. Se você quer desesperadamente subir de level logo…
As Dispatch Missions (roxas) não te põem pra lutar. Você escolhe um mínimo de um personagem (o número máximo varia de missão pra missão) -que pode inclusive ser um personagem “da reserva”- pra realizar a missão enquanto você faz outra (por isso o personagem principal não pode participar de Dispatch Missions). Quando você terminar a sua missão, você verá o resultado da sua e também o da missão Dispatch. Algumas habilidades (que melhoram a taxa de sucesso nas Dispatch Missions) e o level da missão e do(s) personagem(ns) escolhidos são os principais fatores que determinam o sucesso e falha nessas missões, até onde eu entendi, pelo menos.
Nas missões multi-estágio, dá pra salvar o jogo e ajeitar os personagens entre uma batalha e outra.
Outros comentários
Os gráficos do jogo são bonitos (dentro da proposta simples do jogo) e o Character Design me agrada. Agora, quanto às vozes… se você ama seu ouvido (e está jogando a versão americana), deixe a dublagem no original em JAPONÊS. O modo japonês de dublar e o tipo de voz pode ser um pouco estranho pra quem não conhece, mas combina com o jogo. Mas essa não é a razão pra deixar o áudio no original em japonês. A dublagem americana é algo indescritivelmente ruim. Vozes ruins, atuações ruins, tudo ruim. Fora alguns problemas na tradução que podem ser percebidos mesmo em algumas legendas. Se você entende japonês e não gosta de deixar o áudio em japa porque não suporta as discrepâncias entre o original (falado) e a tradução (escrita), esse jogo provavelmente vai fazer você preferir suportar as diferenças entre o que é falado em japonês e o que está escrito em inglês a ouvir a dublagem americana.
As músicas do game, ao contrário das vozes, são boas (ao meu ver, pelo menos), com destaque para o tema de abertura: Shūtan no Ou to Isekai no Kishi ~The Endia&The Knights~ que eu particularmente considero muito bom.
Um recurso bastante interessante desse jogo é o uso do L2 em batalha. Se você não quer ver pela 1256987426ª vez a animação daquele golpe que você us toda hora, aperte L2 assim que a animação do golpe for começar e você pula a animação, indo direto para o que interessa (o dano). Também é possível pular as animações de entrada na batalha e as de morte de inimigo. Seria melhor se além da animação cortasse também as vozes, pois mesmo tendo cortado a animação você tem que esperar até o efeito de voz acabar antes de prosseguir. Uma solução é dada pelo próprio jogo (e constitui por si só um outro recurso interessante) – dá pra se desligar as vozes de certos eventos, não sendo algo extremamente binário: tudo com voz ou tudo sem. Então você pode, por exemplo, cortar tudo menos as vozes das cenas fora de batalha. Assim, nas cenas você tem voz e nas batalhas você ganha agilidade, ao combinar a ausência de voz com o L2. Eu ainda preferia que o L2 cortasse som+voz, porque há vozes que eu gosto de ouvir e outras não, assim eu poderia deixar quem eu gosto falar e calar a boca de quem eu não gosto. XD
Mas não se pode negar que o jogo te dá mais opções que o normal nesse quesito.
Agora, a única característica do jogo que eu realmente não suporto e que está se consolidando como uma mania irreparável no gênero é: você tem que dar uma de adivinho pra fazer certas coisas opcionais no jogo. Derrote o personagem X usado o personagem Y para receber a Key A ao invés da Key B. Ganhe um Ranking A ao final dessa batalha para que ocorra isso e fulano se junte ao grupo. Use a técnica tal do Beltrano pra derrotar o Cicrano e aí daqui a sei-lá-quantos-capítulos ele se junta ao grupo…
– E onde o jogo te dá essas pistas? – Pergunta o jogador ingênuo.
– Pistas??? Pra que pistas??? – lhe responde o jogo
Falando sério? Não tenho bolas de cristal…
Aí lá vamos nós, jogadores, atrás de FAQ’s e similares pra podermos desvendar as surpresas e extras que o desenvolvedores do jogo, em tese, deixaram para nós, mas não nos avisaram disso.
Resumindo a história: não é uma super-produção da indústria de games, mas é um ótimo jogo pra se divertir e ideal pra quem não tem tempo para passar 200 horas a fio grudado no videogame. Se você tem pouco tempo e está entediado, ligue o Videogame, escolha uma missão com poucos estágios (ou de 1 estágio só) e trucide uns inimigos (a Rin é ótima nisso com as magias dela…). Desligue as vozes e abuse do L2 pra ganhar mais tempo ainda. Acabou seu tempo livre, que era curto? Encerre uma luta, salve e desligue. Jogue as Main Missions quando tiver um pouco mais de tempo. Simples assim. XD
Se você é bem humorado e não é propenso a desenvolver uma gastrite ou úlcera por ser “azedo”, você certamente vai rir de/achar graça/ser simpático para com alguns ataques especiais, que usam o próprio “sprite” do personagens misturado com alguns efeitos. Certamente não é algo visualmente deslumbrante (embora alguns sejam muito bem feitos), mas é bacana. Eu não me agüento cada vez que faço o Guilty Break do Hyoma e ele sai voando como se fosse uma pipa sem rumo… é tão tosco que é maneiro. Agora, se você tem espírito de crítico de cinema frustrado, esqueça esse comentário, não foi para você.
Chaos Wars pode ser comprado legalmente aqui:
ou aqui:
Também é possível comprá-lo (inclusive usado, mais barato) na Amazon.com:
– Ah, mas eu quero baixar o jogo! – diz um possível leitor.
Tem um ditado que diz: “Quem procura, acha.” Ou não. É o máximo que este autor falará.
NOTA: Este texto foi pensado, montado, escrito, etc. por mim, Rafael-san, não sendo cópia nem tradução de nenhum lugar em específico (exceto, talvez, a ficha técnica, adaptada a partir da Wikipedia em Inglês) e toda a informação foi tirada “de cabeça”. Por isso pode haver pequenas inconsistências ou pontos menos claros que o desejável. Este autor pede desculpas antecipadas por isso e por eventuais falhas e erros pois, além de não ter bolas de cristal, não tenho memória de elefante.
Rafael-san, O Enxugador de Gelo

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