Tutorial básico de Bit Torrent – “The Final”: Trackers Públicos x Trackers Privados, Ratio e mini-glossário

Fechando essa maldiç… digo, série que eu resolvi começar sei-lá-porquê, vamos meter a mão na ferida e tratar do que dá nó na cabeça do usuário (mais precisamente a idéia de ratio).Na parte 2 do tutorial, eu comentei que há uma certa “entidade” chamada tracker que é quem põe alguma ordem na aparente zona que é o compartilhamento de arquivos via BT. Pois bem, há dois tipo básico de trackers: o tracker público e o tracker privado.

O tracker público caracteriza-se basicamente por ser público (jura?). Qualquer um, a princípio, pode chegar, procurar o que quiser, baixar o torrent, fazer seu download feliz e alegre, quando terminar parar o download e removê-lo do programa-cliente e ninguém tem nada a ver com isso. Mas peraí! Se ninguém compartilhar o arquivo inteiro, como os demais poderão baixar/completar seus downloads? Bem, a premissa básica da existência dos trackers públicos é que os seus usuários (ou ao menos parte deles) são pessoas conscientes e vão deixar, após terminado o download, o torrent ativo por algum tempo, para que outros possam pegar o arquivo. Trackers públicos são ótimos para quem possui conexões como a ADSL onde a banda de download é (muito) maior que a de upload, pois assim você não precisa ficar preso em todo e qualquer torrent que baixar, até completar a exigência do tracker (já que nos públicos não há exigência nenhuma). O efeito colateral disso é que a imensa maioria das coisa lançadas há algum tempo simplesmente não tem fonte (exceção de coisas MUITO populares ou alguns torrents gigantes, onde há existência de pessoas com conexões menos potentes que ficam mais tempo para concluir o download, o que acaba incentivando que as fontes mantenham o arquivo ativo em seus programas de torrent). Sem fonte, sem download. Outra características dos trackers públicos é que qualquer pessoa (que saiba como) pode publicar novos torrents no tracker. Em geral, há um tutorial para isso em algum lugar do site.

Para explicar os trackers privados, eu necessitarei do conceito de ratio, então vamos a ele. Ratio quer dizer “Razão” (nesse caso, no sentido matemático da coisa). Ih! Já senti que tem gente torcendo o nariz e fazendo careta mediante uma menção à matemática. Mas não fujam! Eu explicarei o que é o ratio e garanto: ninguém vai precisar fazer conta. Ouço suspiros aliviados? Quase todo programa de compartilhamento tem alguma forma de assegurar que você está compartilhando algo. Seja te deixando numa fila de espera, enquanto você compartilha nem que seja as partes já baixadas dos seus downloads, seja algum outro método qualquer. Bem, no torrent quem faz esse papel de controle é o ratio (bem, a própria estrutura de funcionamento do BT já meio que prioriza que tem mais capacidade de enviar dados, mas deixemos esses detalhes pra lá…).

Mas afinal, O QUE É O RATIO? Ratio é uma continha que você aprendeu a fazer no primário. Uma mera divisão. Dividi-se a quantidade de dados que você ENVIOU pela quantidade de dados que você BAIXOU. SUBIDA/DESCIDA. UPLOAD/DOWNLOAD. Sacaram? Um ratio de 1.0 indica que você subiu a mesma quantidade de dados que baixou, um ratio menor que 1 indica que você deixou suas obrigações de bom compartilhador em falta e que, portanto, baixou mais que subiu. Mas quem faz essa conta? Duas “entidades” diferentes. O seu programa de bit torrent e o tracker. O seu programa de bit torrent faz para que você tenha noção de quão bom (ou não) compartilhador você é e também para que você tenha controle do seu próprio ratio. Mas e o tracker, para que ele faz? Para um tracker público, a utilidade é nenhuma. Mas para os privados…

Tracker privado é um tracker onde é necessário se cadastrar para poder baixar arquivos de lá. Eles podem ser abertos (qualquer um se cadastra, basta ter endereço de e-mail válido) ou fechados, onde para se entrar é necessário, na maioria dos casos, receber um convite de quem já seja membro. Alguns trackers quando atingem a capacidade máxima de usuários comportada pelo servidor fecham e de tempos em tempos (em geral quando os administradores deletam as contas inativas) eles abrem para receber novos membros até que sua capacidade se esgote novamente. OK, e o que isso tem a ver com ratio? Bem, praticamente 100% dos tracker fechados exigem que você mantenha um ratio mínimo (o quanto é o ratio mínimo varia de tracker para tracker). O mais comum é que a exigência fique entre 0.5 (que você envie pelo menos metade da quantidade de dados que baixou) e 1.0 (que sua subida seja igual a descida) de ratio. Muitos deles possuem regras extras também. Portanto quando for se cadastrar lembre-se de ler as regras (para saber qual o ratio mínimo e quais os comportamentos não são aceitos pelo site). As punições por não manter o ratio ou por descumprir as regras são variadas, mas em mantendo-se o desrespeito, chega-se à punição capital: o seu banimento do site. Nos trackers privados, em geral, apenas alguns usuários têm permissão para publicar torrents novos (e como se ganha essa permissão varia de tracker para tracker).

Alguns trackers privados têm recursos para ajudar membros novos a fazer ratio ou para aqueles que têm bandas de subidas mais lentas. São artifícios variados, sendo um dos mais comuns o “Golden Torrent” (que recebe vários nomes, mas a função é a mesma): torrents onde o total de dados baixados DAQUELE TORRENT é descartado pelo site, então somente os dados que você subiu vão para o total da sua conta e seu ratio geral melhora. Outro recurso são os “seed points” (ou “karma points” ou “karma” ou mais alguns outros nomes): atingindo-se uma condição (ou uma série delas) você passa a ganhar pontos em função do tempo que você permanece como fonte em um torrent. Esses pontos podem ser trocados, em geral, de forma direta ou indireta por quantidade de subida. Ex.: Você troca 100 pontos por + 1 GB na sua conta de Up. Assim, se você não possui um upload decente, você acaba sendo recompensado pela sua boa vontade em deixar o torrent disponível por certo tempo. Alguns tracker limitam como você ganha (ex: apenas torrents sem ninguém baixando geram pontos, assim garante-se que mesmo torrents mais antigos terão chances de terem fontes e usuários novos poderão baixar praticamente qualquer coisa do acervo do tracker) ou como você pode usar os pontos ou ainda quantos pontos você pode ganhar por torrent, para evitar certos “abusos”.

Certos termos são muito comuns entre quem usa BT, mas quem não está poder dentro não conhece, vamos a alguns deles:

Seed/SeederSeed é como se chama a “fonte completa” em Bit Torrent. Portanto todos aqueles que completam seus downloads e manteem o torrent ativo viram seeders.
Leecher – Pode ter duas conotações. Uma delas é simplesmente “quem está baixando”, ou seja, quem ainda não completou o download. Outra, normalmente usada como termo ofensivo, refere-se aos usuários que não respeitam os princípios do bom compartilhador e só querem baixar (ou então só compartilham o mínimo para evitar a expulsão do tracker).
Uploader – Também pode significar duas coisas. Pode ser qualquer um que esteja disponibilizando o torrent para que outros baixem (nesse sentido é sinônimo de seed). A palavra com esse sentido é mais comum em trackers públicos. Nos trackers privados, é mais comumente usado para indicar quem foi que publicou aquele torrent. Também costuma ser o nome da “classe de usuário” que tem permissão para fazer tal publicação.
Downloader – Nos sites que chamam os seeds de uploaders é comum que os leechers sejam chamados de downloaders.
Peer – essa eu não vejo tanto, mas em geral “peer” é a denominação genérica dos “pontos” envolvidos no processo de troca do arquivo. Seeders + leechers = total de peers daquele torrent.
Dead Torrent (Torrent Morto) – Eu já vi chamarem várias coisas de Dead Torrent. Felizmente todas elas parecidas. As vezes chamam de “Dead Torrent“, os torrents que permanecem sem nenhuma fonte por algum tempo. Em alguns lugares, no entanto, só são considerados mortos os que permanecem sem seeders nem leechers por um determinado tempo. A maioria dos trackers tem opções para se ocultar os dead torrents dos resultados das buscas.
Seed Box (Sementeira) – é um serviço (pago) que visa as pessoas que têm problemas para baixar torrents (seja por traffic shaping, cotas de tráfego de dados, baixa velocidade de upload, problemas com roteadores e firewalls). Nesse tipo de serviço, é disponibilizado um número de slots para que o usuário possa fazer seu download. Basta apontar o endereço do .torrent ou subir o .torrent para o seed box que este, então, se responsabilizará por baixar e fazer ratio para o usuário, usando os servidores próprios do serviço (economizando, assim a cota do usuário, evitando o Traffic Shaping ou simplesmente deixando a conexão dele livre para outros fins). Uma vez completado o download por parte do serviço, este disponibiliza ao usuário um link para baixar o arquivo (mais comumente via HTTP ou FTP) diretamente. A quantidade de slots e a quantidade de tráfego máximos mensais variam de plano para plano.
Re-seed – relativamente comum em trackers privados, o re-seed é uma espécie de “serviço” interno do tracker, no qual um usuário pede para que um torrent sem fontes recupere algumas de suas antigas fontes. Normalmente um link é disponibilizado na página de detalhes do torrents para tal. Uma vez solicitado, o sistema envia, via mensagem privada, um recado a todos os membros que já baixaram o mesmo torrent solicitando que estes, se possível, voltem a ser fontes daquele torrent. Assim, quem já baixou e ainda tem consigo o(s) arquivo(s) descarregado(s) pode, se quiser, entrar novamente como seed. Como em trackers privados fazer ratio sempre é uma preocupação, a coisa acaba funcionando em um bom número de casos.

Nossa, nem acredito que isso acabou… (ou não).

Rafael-san, O Enxugador de Gelo

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